sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

2013 e a invenção do Tempo - Por José Cícero

Prof. José Cícero
Temos uma necessidade imensa de cronologia. Tudo o que fazemos ou deixamos de fazer tem, inexoravelmente, um caráter cronológico e temporal.
Somos por isso mesmo, afeitos ao tempo por uma necessidade quase visceral de sobrevivência. Quem sabe a pressa de viver, assim como o medo do envelhecimento e da morte tem nos transformados ao longo da história humana em verdadeiros reféns do tempo. Razão desta vontade quase  incontrolável de medir os nossos dias. De forma que a cronologia invadiu de vez as nossas vidas. O tempo é por isso mesmo, a nossa grande bitola existencial, cuja insígnia carregamos no corpo e no semblante diante dos espelhos que não mentem diante de nós.
De maneira que há muito estamos condenados a esta masmorra temporal que a todos condena pelos anos adentro. O tempo é, portanto, o senhor de tudo que nasce, vive, envelhece e morre. Nada em absoluto está livre dele. O tempo como o tacão do Cosmos a nos perseguir onde quer que estejamos como um cão danado.
Somos seus escravos e a ele devemos os mais altos soldos de cumplicidade, sobrevivência e longevidade. Contudo, ao contrário do que imaginamos, não foi o tempo quem nos criou enquanto seres finitos e racionais, mas sim o contrário. Nós é que, um dia, por absoluta falta do que fazer, o criamos na ânsia de querer dominá-lo e assim nos tornarmos eternos e imortais. Inventamos, a partir daí, num primeiro momento, os relógios de sol, de areia, os calendários... Jogamos dentro destes medidores do infortúnio humano as nossas emoções e sentimentos; assim como a nossa própria alma. Como ainda, as nossas preocupações mais intensas e importantes.
De tal maneira que desde então, não podemos viver sem esta contagem cronológica e temporal desde monstro que desde então, segue cronometrando nossos dias. O tempo agora é um verdadeiro fantasma em nossas vidas cotidianas ao passo que sempre aponta o caminho do fim.
Como se percebe, criamos o tempo não por necessidade funcional, mas por capricho. Quem sabe como pretexto para blefar de Deus. Em seguida, tornamo-nos os seus escravos.
Entretanto, é preciso dizer que o tempo não existe por si mesmo. De sorte, que precisa necessariamente de nós para se corporificar enquanto conceito existencial cotidiano. O tempo não passa de uma abstração absurda a precisar da nossa presença para se tornar de algum modo útil no mundo material.
O tempo é de fato, um fantasma horrendo e sem sentimento a nos perseguir onde quer que estejamos.  Onisciente ele é também  passado, presente e futuro.
O tempo que se processa, além de nós. Que é dominação e, às vezes também liberdade. Que se estende e se retrai brincando de fantoche com todos nós. O tempo que, finalmente carregamos expresso no rosto em rugas e nos cabelos brancos como marcas indeléveis de uma vida dura em seus percalços.
Por fim, como carrasco quase invencível de todos os seres vivos, venceremos o tempo quando não nos preocupamos muito com ele. E, como tudo que nasce é pra morrer. Um dia o tempo haverá também de ter um fim assim como tudo que é material no mundo.
Enquanto isso temos que nos contentar pelo menos com os momentos felizes que aproveitamos. Posto que isso é toda felicidade possível que existe. E que tenhamos a capacidade de fazer da vida um momento eterno.  Que a vida seja longa e todo sofrimento seja breve...
Salve, salve 2013!
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Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Esporte
Aurora – CE.
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