sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Senado Federal quer ‘ética e moral’ como disciplinas escolares. O que isso significa? - Por José Cícero




A imprensa noticiou nesta última quinta-feira(15) com relativo estardalhaço a aprovação pelo Senado Federal do projeto de lei, obrigando a introdução das disciplinas de Ética e Moral na grade curricular do ensino médio de todo o país. Num primeiro momento parece uma medida simplória e razoável. No entanto, há que se perguntar que razão estaria motivando tais senadores a votar esta obrigatoriedade.
É notório que a sistemática pedagógica atual, tanto quanto a própria política educacional do país precisa sem demora de uma melhor adequação, inclusive no tocante a reformulação da grade, dada a grande demanda  dos novos tempos. Mas isso não pode ocorrer à toque de caixa. Muito menos sem a devida ponderação teórica e o necessário diálogo social, em especial com os que fazem esta educação por ofício e a duras penas, no seu dia a dia.
Como se não bastassem as matérias tais como filosofia, sociologia, Artes, música, afrodescendentes e até educação física, que ainda agora, malgrado a exigência legal encontram-se na grande maioria das escolas deste país, quase relegadas a um segundo plano, isto é,  na base do “ao Deus dará”.
Ora, com a exigência mecânica da  introdução da Ética e da Moral não seria diferente. Temos que pensar primeiro na questão da estrutura. Nos recursos financeiros e humanos, na formação, nas realidades regionais, etc. Convenhamos, quase em canto algum as coisas não acontecem assim por mera canetada, muito menos na educação.
Tal proposta que ainda precisa ser votada e aprovada na Câmara, talvez traga no seu bojo um outro sentido,  muito mais implícito, quase subliminar. Quer seja o objetivo de tentar amainar as críticas da opinião pública brasileira em relação à classe política em geral. Especialmente agora, após o julgamento do “mensalão” do PT e Cia que trouxe à baila os indigestos espinhos da corrupção, como um fenômeno endêmico do nosso sistema político tupiniquim.
No mais tenho minhas dúvidas quanto a suposta opinião de que aprendemos a ser éticos e corretos nos bancos escolares. Acredito piamente que a melhor educação e, que é base para tudo na vida, inclusive para a ética cidadã,  aprendemos no seio familiar – a célula-máter de qualquer sociedade.
Não nos resta dúvida de que, tanto a ética quanto a moral, são valores imprescindíveis para a formação de qualquer cidadão. Mas não podemos relativizar a questão a este ponto, ou seja, pensar que isso deva está restrito exclusivamente a uma disciplina escolar o mais mecânico e estanque possível.
Ética e moral são tão fundamentais que devem estar muito além deste suposto enquadramento academicista e ingênuo. Ética e moral devem ser disciplinas gerais, holísticas, que possam transitar o tempo todo no cotidiano social das pessoas. Numa praxe sociocultural das mais vivas, pulsantes e intensas. E quanto ao ambiente da escola numa interdisciplinaridade que transcenda todas as demais ciências, quer sejam humanas ou exatas. Um tema o mais transversal possível e que se faça presente nos afazeres de todos os indivíduos dentro e fora do ambiente escolar.
Eis a ética e a moral que a sociedade hodierna precisa o mais rapidamente possível  para crescer e se   humanizar o quanto antes. De modo que, muito mais que um mera disciplina escolar, precisamos urgentemente nos apropriar da moral e da ética no nosso dia a dia, como valores e princípios fundamentais para a construção de uma sociedade mais humana, justa e igualitária.
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José Cícero
Secretário de Cultura, Turismo e Esporte
Aurora - CE.
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