quinta-feira, 26 de maio de 2011

AURORA - 1908: um ano que entrou para a história pelo portão da vergonha

Por José Cícero1908 um ano dos mais tumultuados e difíceis pelo qual já passara o povo aurorense.Uma agrura das mais terríveis e duradouras expressa numa sucessão de fatos violentos praticados na sua grande maioria contra uma gente ordeira e inocente. Coisas horríveis, cuja descrição das quais nunca foram sequer citadas nas páginas negras da nossa histórias, posto que feriram de modo brutal e vergonhoso a moral da cidadania, assim como a própria dignidade do seio familiar daquele tempo.
Um ano que ficou marcado na história pela extremada sanha de uma violência quase institucionalizada e sem contenção. Um salve-se quem puder. Uma época sem paralelo e sem lei onde na prática, quando muito, o que prevalecia era o direito da força buscando a imposição pura e simples do poder como a razão do direito estabelecido dos fortes e poderosos sobre uma imensa legião de inocentes e ilibados cidadãos, fracos e miseráveis. Um crime de lesa-civilidade que mexera profundamente com toda a vida social daquela Aurora, digamos quase adolescente na sua caminhada histórica.
Um tempo de dificuldade e de vergonha, quem sabe, destinado ao esquecimento da história, mas que no entanto, como que por puro capricho do destino, o poder da memória insistira tanto que a narrativa daqueles acontecimentos aos poucos foram se consolidando ao correr dos anos. Como um emaranhados de fatos macabros e fenômenos tristes, como peças de um imenso quebra-cabeça montado pacientemente pela ordem natural do cotidiano.Com vistas a tessitura do presente, como se fosse este a luneta mágica dos deuses invertida nas suas objetivas e nos seus propósitos.
Manuseadas por uma multidão de profetas e de escribas na ânsia de traçar e enxergar com outras lentes, caminhos novos no horizonte de uma Aurora caririense, quem sabe agora, para que consiga de vez, vencer-se a si mesma diante do grande ímpeto de ousadia e coragem com que a sua juventude se impõe na busca incessante da grande aventura de um futuro cada vez mais possível, alvissareiro e diferente para todos os seus contemporâneos.
Foi uma época de grandes sofrimentos e de atraso, pelo qual Aurora pagaria ainda pelos anos adentro, muito caro. Instante em que os temíveis coronéis dominavam com mãos de ferro os sertões do Cariri pelo poder do dinheiro e pela força dos seus verdadeiros exércitos de jagunços ignorantes e sanguinolentos. Anos de cangaço. De bandidos e de toda sorte de facínoras. Ignorantes e sanguinolentos de aluguel. Ladrões e criminosos animalescos da pior espécie, cujos exemplos, assim como os atos por todos eles praticados destoavam em essência do gênero humano, vez que os aproximaram invariavelmente, muito mais dos bichos do que dos homens, na lídima veracidade da palavra.
Autênticos “bestas feras” dos sertões catingueiros, como todos os consideravam naquele tempo. Somente comparáveis nem sua desgenerência aos potentados que os mantinham, protegiam e os patrocinavam naquela lida do mal.
1908 um ano que entrou para a história pelo portão do fundo da vergonha. Uma estupidez imensurável. Invasão, estiolamento e saque de uma cidade que apenas começava a crescer. Dias difíceis vividos com lágrimas de sangue por um verdadeiro bastião de inocentes. Razão pela qual haveremos decerto, de estudá-los agora com o devido grau da sua verdade histórica, sem perder de vista seus algozes. Separando por assim dizer, o joio do trigo neste tabuleiro que ora se apresenta como o simples culto da memória contra o esquecimento. Principalmente no que tange aos seus principais personagens, nem tanto heróicos como muitos os querem, tão somente sob o véu da camuflagem ou sobre o império das invencionices escritas. Os que participaram diretamente ou patrocinaram aqueles trágicos episódios, no mais das vezes sem a devida exceção dos inocentes.
Sem querer no entanto, julgar tais acontecimentos nem pela ótica dos vencedores e, nem tampouco promover um acerto de contas do passando de injustiça diante dos seus verdadeiros oprimidos – os perdedores. Apenas a verdade dos fatos aqui nos interessa, como meros narradores de uma epopéia quase melodramática a que sabemos hoje, todos os aurorenses foram de algum modo atingidos e prejudicados.
Por isso, diria que 1908 foi um ano singular que ainda não terminara por completo...
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CONFIRA: na 2ª parte deste artigo o incrível episódio envolvendo o encontro do Cel. Sebastião Alves Pereira, Paulo Gonçalves e outros familiares na inóspita localidade da Ponta da Serra(Ingazeiras) com dois bandos de jagunços(cangaceiros).
Não Pecar!
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José Cícero

Secretário de Cultura
Pesquisador do Cangaço
Aurora-CE
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foto ilustrativa: Bando de Jagunços do Cel. Izaías Arruda -
Na Vila(hoje distrito) de Ingazeiras município de Aurora nos anos 20.


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