quinta-feira, 21 de julho de 2011

ARTE Aurorense: Um pouco mais de nós...

Mestre Antônio Pinto - O Rabequeiro

Antonio Pinto Fernandes, nascido no Sítio Cobra município de Aurora em 18 de Outubro de 1922, é agricultor, carpinteiro e luthier. Reside na sede de Aurora, no Cariri Cearense(bairro SãoBenedito/Aurora Velha), é casado com dona Galega, ou como é mais conhecida “Dona Galega do Carvão”, por seu trabalho de vendedora de carvão.
Homem engenhoso e criativo por necessidade e por natureza. Seu pai José Pinto Fernandes, pedreiro e também carpinteiro, além de muitas outras artes, dominava o ofício de fazer e tocar rabeca. Possuía uma pequena forma, que servia de molde para fabricar os instrumentos.

Com uma das rabecas feitas pelo pai, mestre Antonio, ainda criança, foi pro mato munido apenas de um facão (nada adequado para sua idade), e lá aprendeu a construir suas rabecas. Foi aperfeiçoando seu ofício de forma intuitiva, utilizando o que tinha nas mãos e por vezes “emprestando” as ferramentas do pai.

A Rabeca

Mestre Antônio morou por um período em Minas Gerais, e apesar de dizer que não conheceu rabequeiros por lá, suas rabecas possuem uma semelhança muito grande com as produzidas naquele Estado no que diz respeito ao tamanho e formato. Algumas peculiaridades também diferem suas rabecas das demais encontradas no Ceará, como por exemplo, o estandarte feito de chifre de boi, ou o rabicho (peça que prende o estandarte) feito de metal de maçaneta de porta. Na região do Cariri normalmente o estandarte é feito de madeira e o rabicho de corda, arame ou couro.

Suas ferramentas são uma obra de arte a parte: ele mesmo as constrói e as reinventa, adequando às suas condições e necessidades. Um bom exemplo é de uma máquina de costura velha que ele desmontou e fez uma tico-tico (foto ao lado), trocando a agulha por uma lamina de cortar madeira; ou uma lixadeira feita a partir de uma lata cheia de furos presa à um motor de enceradeira. Ainda utiliza facas velhas e tesouras que passam a ter outras funções na sua oficina.

A madeira usada por ele é o cedro. Suas rabecas são de “cocho”, possuem alma e tem 4 cordas (de aço para violão). Pode ser considerada grande, tanto no comprimento (62 cm) quanto na largura do corpo, tendo como características um som cheio e grave. As cravelhas e o cavalete são de madeira escura e dura. A lateral é cortada com sua tico-tico, formando uma peça única; o tampo superior é cavoucado com formão até ficar com o formato abaulado; a voluta de seu instrumento é esculpida com uma pequena tesoura ou faca velha; os arcos possuem uma cravelha na parte inferior para regular a tensão da crina (utiliza a crina de cavalo).

Tem preferência pela cola de couro, mas devido à dificuldade encontrá-la, atualmente usa cola branca. O acabamento é dado com verniz sintético ou goma laca também chamado de “casca de barata”.

O Mestre já foi um exímio tocador, levantando poeira no baile até o dia amanhecer. Hoje quase não toca, mas depois de alguns pedidos ele ainda arrisca uns forrós. Ganhou o título de “Mestre da Cultura” concedido pelo Governo do Estado do Ceará. Alguns de seus filhos moram em Juazeiro, empregados numa madeireira. Lidam diariamente com a mesma matéria prima usada por Mestre Antônio, mas nenhum deles seguiu os passos do pai.

Fonte:http://www.rabeca.com.br/site/interna.
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