sábado, 2 de março de 2013

Lampião em Aurora: Olhares sobre a trama para a Invasão de Mossoró - Parte I

Por José Cícero

Sec. José Cícero e equipe da Secult-Aurora na Faz. Ipueiras no CC/ 2011
Painel do Seminário Cariri Cangaço 2011 em Aurora - Ceará

A Aurora do Cel. Izaías Arruda. Fazenda Ipueiras. Trama de Mossoró, Jagunços e Cangaceiros...  

 

Cel. Izaías Arruda
Vasta e polêmica tem sido até hoje a história do cangaço lampiônico nos sertões nordestinos. De modo que, qualquer narrativa acerca(por exemplo),  da famosa  trama ocorrida em julho de 1927 na fazenda Ipueiras no município de Aurora,  com vistas à invasão de Mossoró tem, necessariamente este viés emblemático, um tanto quando díspares e controverso, diga-se de passagem.
De tal sorte que, de um jeito ou de outro, a marca do cangaço nordestino, também no Cariri não fugira à regra, se apoderara desta insígnia dos seiscentos diabos.   Uma narrativa de fatos, além de escuros e nebulosos, sempre beirando  o tempo todo o mito,  como igualmente uma gama de outras  invencionices pra lá de mirabolantes. Uma mescla evidente de ódio e de paixão. O que poderíamos muito bem denominar  de 'conflito eterno' entre Volantes e cangaceiros espraiado também no aspecto literário de quase tudo que já foi dito e escrito, como também naquilo que ainda hoje vem sendo debatido e produzido do ponto de vista da escrita.
Algo, por assim dizer, bastante peculiar a uma história profundamente marcada por sangue, suor e lágrima, cujo correr da pena da verdade ainda agora continua  umbilicalmente ligada, tanto à oralidade quanto    aos mais diversos interesses  de escritores livrescos,  o mais das vezes do litoral. Alguns, sem nenhum compromisso com a veracidade das suas narrativas. Por isso, o extenso rol das mesmices e dos factóides...
Como se sabe, foi o cangaço, um fenômeno social dos mais importantes e superlativos dos sertões do mundo. Razão pela qual exige  dos seus narradores uma metodologia um pouco diferenciada da que estão acostumados os pesquisadores e historiadores hodiernos.
Em última instância, mais uma história dos oprimidos a ser contada insistentemente pelos vencedores. Um não sei quê de tragédia e do mais puro realismo fantástico. Mas que no fundo, teve a dura marca da vida de uma gente sertaneja  na sua eterna ânsia de resistir e, assim, sobrepor as injustiças e o sofrimento por meio da bravura nata que trazem impregnada até agora na própria alma.
Porém, o que não se pode jamais negar é que o cangaço não foi um acontecimento de grandeza e de importância sociológica. Um produto gestado como se diz, no ventre da injustiça, assim como nas agruras e na opressão. Resultante do desprezo sociopolítico e do abandono dos chamados poderosos do litoral. Um  autêntico fenômeno social pelo qual as gentes sertanejas de então, tiveram  que pagar um preço dos mais altos, cujos resquícios ainda hoje permanecem  como verdadeiros fantasmas  rondando as veredas e os bastidores dos nossos rincões e grotões esquecidos nas léguas tiranas das estradas.
Famoso bando de Jagunços do Cel. Izaías, foto de 28 em Ingazeiras
Voltemos, contudo, a não menos famosa e enigmática trama ocorrida na fazenda Ipueiras de Aurora.  A começar pelo suposto envolvimento dos seus principais artífices, além  dos interesses que os moveram para tal empreitada de risco.   
De sorte que, caso seja realmente verdade que para organização da trama, além dos interesses financeiros também existiu de fato, uma motivação política untada nos seus bastidores(sic).
Diria que também é forçoso sustentar que o aspecto financeiro constitui-se como  a força a motriz  e, portando não menos geradora do acontecimento ocorrido em solo aurorense. Eis então, onde reside a grande importância da análise do  protagonismo exercido, tanto pelos jagunços quanto pelos potentados   d’Aurora, para à fomentação da histórica e malograda empreitada cangaceira e Lampiônica que teve por palco a fazenda Ipueiras de Izaías e Zé Cardoso - Antes e depois de Mossoró. (...segue na próxima postagem).
..................Prof. José Cícero
pesquisador do cangaço.
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.

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2 comentários:

Artur bruno da cruz André disse...

muito bom o blog nao sou aurorense mais sou filho de um, ele ficou muito feliz em ver todas essas historias sobre seu municipio

Artur bruno da cruz André disse...

muito bom o blog sou filho de um aurorense ele ficou muito feliz relembrando e vendo tudo o q acontece com o seu municipio.

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