quarta-feira, 3 de abril de 2013

O Nim indiano e a invasão biológica do bioma da caatinga


Por José Cícero
Praça Stº Dumont em frente ao col. Monsenhor no bairro Araçá - Aurora/CE


Nim na praça da estação
Nem faz tanto tempo assim, pois a mais ou menos   uma década o Nim (azadirachta indica A.juss), uma espécie vegetal  exótica originária da Índia chegava ao Brasil; sendo plantada inopinadamente em  vários municípios  nordestinos, inclusive em Aurora. 
Considerada uma planta extremamente invasora, portanto, com grande poder adaptativo  e de propagação o Nim indiano como é conhecido vem provocando verdadeiro desequilíbrio nos ecossistemas da região. Malgrado a controvérsia. Ainda há quem o diga que isso é apenas o começo. Com grandes chances de piorar, caso nada venha a ser feito por parte dos órgãos competentes.Também é preciso que se diga que a monoarborização(de qualquer espécie) corresponde a uma prática altamente contrária e deletéria  à natureza e sua biodiversidade.
Amplamente utilizada como alternativa para a arborização urbana e rural a espécie vem sendo dissiminada em vários municípios do Nordeste em  geral e, do Cariri em particular. Usada inclusive, em alguns caso, como solução para áreas de reflorestamento e quebra-ventos em regiões do semiárido. São tão graves os efeitos provocados pela utilização desregrada do Nim que já podemos chamar esta prática de "desmatamento ou desertificação verde". Tamanha e preocupante já estão sendo as consequências desta alternativa altamente invasora para a fauna e a flora, assim como para os padrões do frágil bioma da caatinga.
A continuidade do uso abusivo do Nim, assim como do próprio Ficus(Ficus benjamina) vem se caracterizando como um literal atentado contra o equilíbrio dos ecossistemas sertanejos, assim como contra o meio ambiente em geral. Visto que podem ocasionar num curto espaço de tempo, dentre outras coisas, a extinção de espécies nativas e edêmicas da região. Notadamente pelo seu rápido ciclo vegetativo  e o  grande poder de propagação,  quetermina por  eliminar a concorrência, ou seja, as espécies naturais da caatinga. Por sinal, foi sua rapidez de crescimento justamente o que a fez cair nas 'graças dos homens do sertão'.
Prof. José Cícero
Contudo, algumas observações elencadas por especialistas dão conta desse perigo iminente que ora pesa sobre a fauna e a flora nordestina. 
Para tanto, será interessante observar  os seguintes aspectos relacionados ao Nim. Como por exemplo: é repelente natural de modo que não contribue para o habital e alimento de espécies animais, prejudicando assim, o necessário processo de polinização; fundamental tanto para a flora quanta para a fauna. É considerada uma planta abortiva  para os animais, incluindo pássaros que segundo, dizem, já estão ficando estéreis. 
Alimenta-se dos microorganismos do solo contribuem desse modo para o empobrecimento  da terra, além de já haver relatos acerca de alguns casos em que o plantio do Nim tenha sido causa de contaminação aquática. Trata-se portanto,  de uma espécie que, além de exótica é danosa para o já maltratado bioma da caatinga. Provocando, ao contrário do que muitos pensam,  um novo tipo de desertificação.
Ao longo do tempo o Nordeste experimentou algumas plantas exóticas que, com o passar dos anos, passaram até mesmo a serem confundidas como  espécies naturais da região, a exemplos da algaroba, castanhola, avelóz etc. Porém, nenhuma destas, teve o alto grau de invasão biológica quanto tem o Nim por força do seu poder de adaptação, crescimento, reprodução e eliminação de concorrentes. Como atualmente se encontra, a espécie da Índia terminará por descaracterizar o panorama ambiental  geral da caatinga sertaneja, além de acelerar a extinção de espécies e a degradação do solo. Provocando por isso mesmo,  uma série de outros malefícios ambientais  para os ecossistemas regionais, cujos efeitos  estão apenas começando. 
Sendo imperioso, portanto,  a intervenção do Estado por meio dos seus órgãos competentes. Como igualmente dos estudiosos e demais  pesquisadores independentes. Do contrário, daqui a pouco, será fato o quase total comprometimento do bioma da caatinga, que aliás é único em todo o mundo.
É urgente que sejam implementadas  campanhas de massa na imprensa, nas escolas e outras instituições públicas no sentido de informa à população quanto ao problema e, assim se possar evitar o uso indiscriminado da tal planta.  Ademais,  é preciso que o uso do Nim daqui para frente, somente seja feito sob rigorosos controles e critérios no sentido de que se possa protejer e assegura o equilíbrio do meio ambiente. 
E o que é pior. A disseminação do Nim vem sendo incentivada com o uso de recursos públicos, posto que as próprias prefeituras destes municípios desenvolveram repetitivos e duradouros projetos de arborização urbanas, além da doação de mudas à população e aos agricultores  da zona rural. Promovendo por assim dizer, um verdadeiro crime ambiental.
Por conseguinte, para a preservação imediata  do bioma da caatinga, essa prática precisa  terminar sem mais delongas, sob pena de estarmos destruindo para sempre a rica e bela biodiversidade da nossa caatinga.
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(*) Prof. José Cícero
Formado em Biologia
com graduação em ciências biológicas.
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora-CE,
Leia mais em: http://jcaurora.blogspot.com.br/2011/09/ecologia-caririense-por-jose-cicero.html
Fotos: Arquivo do Blog e JC

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3 comentários:

liduzzinha disse...

Fiquei de boca aberta sabendo disso. E porque as autoridades não divulga isso massivamente? É momento de se fazer campanha da retirada dessa arvore e a proibição do plantio. Vamos divulgar vou agora mesmo postar no facebook

José Laércio Santana Araújo disse...

Meu Deus,as pessoas no interior da Bahia estão plantando bastante em frente suas residências, temos que fazer campanhas urgente...obrigado pela informação

Fabiano disse...

Fico curioso por saber se lá no habitat natural do nim, também há esses efeitos colaterais no meio ambiente. Há esterilidade em aves e outros animais? Problemas de insetos polinizadores?

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