quarta-feira, 20 de abril de 2011

Roberto Carlos, 70 anos: Música, saudade e o preconceito de elite

Por José CíceroParece que foi ontem...
Os sucessos musicais que duravam todo o ano e mais um pouco... Na sua grande maioria tocados pelas rádios AM do país inteiro e em seguida pelos discos de vinis, a que todos acorriam às lojas para adquiri-los com imensa alegria e sofreguidão pela sensação gostosa daquela novidade.
Bonitos “bolachões” de capas coloridas, com pomposas fotografias dos seus galãs. Extensos comentários explicativos e autorais acercam das composições contidas, e outras histórias que, de modo geral, instruíam as pessoas quanto àquela produção musical. Lp’s e compacto Disc – antigos e saudosos discos de vinis que embalaram durante muito tempo a nossa juventude assim como as várias gerações de entusiastas musicais de uma época áurea da produção artística musical brasileira.
Discos que na sua grande maioria eram lançados no fim do ano ou na estréia do ano-novo. Long Play de 12 músicas distribuídas em dois lados(A e B) e compactos, que embrulhávamos para dá de presentes aos amigos, parentes e a pessoa amada, geralmente com palavras de carinho, poemas e declarações de amor eterno e profundo. Tudo escrito à mão na extensão da capa daqueles vinis de outrora que nunca olvidamos. Produtos bastante diferenciados, disso que temos hoje sob a denominação fria de CD.

O disco de vinil era um universo de variedades que enchia o nosso ego de emoção e afetividade. Provando, deveras, que a música sempre foi uma linguagem universal... O disco era o próprio romantismo a toda prova mexendo profundamente com a sensibilidade do povo. Poesias musicalizadas no melhor estilo dos que cultivavam a paixão e o amor à flor da pele. Uma sensacional invenção artística, muito mais que tecnológica, engendrada para instigar nosso bom gosto e emocionar nossos corações numa autêntica enxurrada de emoções das mais superlativas e latentes. Presumo que por isso mesmo, não me esqueço daquele verdadeiro imperativo com que todo disco trazia no roda-pé da sua capa de papel, a frase: “Disco é Cultura”. Com os discos a boa música do país e, em alguns casos do exterior, entrava tocando pelos anos adentro. Adentrava nossas veias como uma injeção de pura glicose e fantasia. Fazendo deste, parte importante das nossas vidas. Diria que o disco cumpria sim, uma importante função social. Ao passo que educava musicalmente, ao contrário do que acontece agora quando; embriagados pelo lucro fácil e a qualquer preço; verdadeiros criminosos estão a descaracterizar pelo mau-gosto, incompetência, o baixo nível e a mais absoluta ausência de qualidade, daquele que já fora um dos mais importantes gêneros musicais do mundo – a MPB.
Portanto, é no mínimo lamentável o que estão fazendo com a música popular do Brasil. E o pior: todos nós somos culpados, por conta da nossa própria indiferença e passividade diante desta crise e deste evidente estado de descalabro. Porém, o que não tem alicerce não se sustenta. Esta onde fétida de lama haverá de passar sem deixar saudades.
Parece que foi ontem!..
Os implacáveis sucessos do rei Roberto Carlos e tantos outros cantores que de alguma maneira gloriosa escreveram seus nomes indeléveis na nossa história. Sucessos inesquecíveis a que todos aguardavam com expectativa. Lançamentos do rei que ocorriam impreterivelmente todo final de ano. Um presente para os que curtiam a música como um lenitivo para a própria alma... Os que curtiam um Tertulia, o som do rádio e dos antigos parques de diversão com suas dedicatórias anunciadas pelos alto-falantes. Era assim. Foi assim...
E as canções do rei, de fato embalavam nossa juventude, com um leque de composições brilhantes que ainda hoje nos emocionam verdadeiramente. Por isso reafirmo que os sucessos de Roberto são eternos, por mais que a nossa elite queira nos provar que não. Isso porque a elite brasileira de todos os tempos sempre sentiram vergonha e ódio das nossas raízes e dos nossos talentos. Notadamente daquilo que encontra eco nas camadas populares.
Nossa elite sempre foi burra e ignorante. Motivo pelo qual veste-se de luxo e brilho, justamente para que não consigamos enxergar sua verdadeira pele. O preconceito da elite do Brasil também teve seus aspectos musicais. Ou seja, de tanto jogar contra o nosso patrimônio, está agora a aplaudir de modo genuflexo, todo o caos que ora se abate sobre a nossa boa música.
Mas o Brasil é bem maior que ela(a elite), por isso haverá de dá a volta por cima... Haveremos de derrotar mais este crime de lesa-pátria e de lesa-história cometido contra a nossa música e a nossa cultura.
Assim, é imperioso que aplaudamos neste instante o feliz aniversário dos 70 anos deste grande artista do povo brasileiro. Monstro sagrado do nosso cancioneiro popular – o rei Roberto Carlos Braga -, por tudo que ele já produziu no sentido do engrandecimento da cultura musical da nossa nação.
Viva Roberto! Abaixo o preconceito de elite!

* José Cícero

Secretário de Cultura - Aurora/CE.

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