quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dominguinhos foi cantar no céu - Por José Cícero*

 Mestre Dominguinhos. Quem é eterno nunca morre de verdade!


Com a morte do nosso Dominguinhos, diria que a boa e verdadeira música brasileira continuará cada vez mais pobre. Notadamente a música do Nordeste. As canções que falam dos sertões, da saga poética, dos sofrimentos e das agruras de uma  gente forte e destemida.
Como a morte de Dominguinhos, além da tristeza e da  saudade, vale igualmente, um momento de reflexão profunda sobre o atual contexto cultural brasileiro, especialmente sobre o presente e o futuro da nossa música de raiz. Diante do atual cenário lúgubre e negro, por que passa todo o processo de produção, distribuição e de consumo.
Algo que, como se percebe, se faz extremamente daninho e deletério para a cultura artística do nosso país em geral. O que decerto, termina por garrotear não somente o surgimento de novos valores, mas inclusive, o hábito e o acesso de muitos à chamada música de qualidade que, diga-se de passagem, também constitui uma ferramenta basilar para o desenvolvimento socioeducacional do nosso povo. Muito especialmente, no que se refere a nossa linda juventude.
Com a morte de Dominguinhos, assim como dos nossos grandes artistas, o que ainda restará de fundamental, já que praticamente não se ver o aparecimento de bons valores, não apenas neste campo?
A música brasileira, ou o que ainda resta dela, está literalmente na UTI. Sobrevivendo tão somente da fama e do sucesso que obteve no passado. De modo que, sem continuidade e sem espaço,  aos poucos  vai também morrendo à míngua. Por assim dizer, num tsunami de mau gosto, aliada a desfaçatez e o descompromisso de uma indústria fonográfica sem vergonha e criminosa  que, aliada à mídia marrom,  cega por dinheiro, seguem de braços dados ante a complacência das instituições democráticas e da sociedade; assassinando o que ainda resta da nossa autêntica cultural musical. 
Um verdadeiro crime de lesa-pátria cultural. Coisa que muitos, a exemplo de Dominguinhos, jamais cansaram de denunciar como inclusive, de dá nomes aos bois. Mas nada em absoluto foi feito, no sentido de se extirpar o quanto antes este câncer da vida brasileira. Em parte, porque existem muitos interesses em jogo...
Com Dominguinhos morre também todo um importante legado musical e artístico que, ao contrário do que se verifica hoje, ajudou a projetar a música do Brasil em todo o mundo, como uma verdadeira  obra de arte. Aliás, um dos mais importantes cartões-postais do nosso país frente a agenda cultural no além-fronteiras.
Conforta-nos, entretanto, sabermos que pelo menos, por tudo que fez, cantou e produziu de essencial para à cultura brasileira, Dominguinhos não morrera. Posto que, apenas se encantara numa das suas canções mais bonitas e verdadeiras. 
Visto que também se eternizou, tanto na história quanto na memória de gerações inteiras; apaixonadas por seu canto, seu talento e sua bondade. 
Encontra-se portanto, no umbral dos céus, bem ao lados de artísticas consagrados que resolveram partir na frente como: Jackson do Pandeiro, Lidu, Sivuca, Jonas Andrade,  João do Vale, Marinêz,  Luiz Gonzaga e tantos outros que, com seus  inigualáveis talentos ajudaram um dia a construir esse imenso legado artístico. 
Fazendo portanto, da cultura musical nordestina do Brasil como uma das mais belas e fantásticas  do mundo de todos os tempos. O que, infelizmente, ao que tudo indica, a geração do presente não está tendo sequer a dignidade e tampouco a  competência de preservá-la à posteridade.
Viva Dominguinhos para todo o sempre!
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(*) Por José Cícero -
Escritor, Pesquisador e Poeta
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.
Foto: Internet 
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