quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Artigo Científico - Por Luiz Carlos de Aquino Pereira*

CHAPADA DO ARARIPE – CARACTERÍSTICAS GERAIS DE SUA ÁREA DE INFLUÊNCIA (1)

Luiz Carlos Aquino(autor)
As potencialidades naturais e econômicas da Microrregião Cariri se constituem em significativas vantagens comparativas no contexto não apenas do Estado do Ceará, mas do Nordeste como um todo. A disponibilidade de solos profundos, bem drenados, férteis ou com pequena restrição de fertilidade permite a exploração de culturas diversas, associadas a agroindústrias agregadoras de valores. Os acidentes geográficos favorecem a suavidade do clima, agradável nas encostas da Serra do Araripe e quente em outras áreas, mas, de modo geral, aprazível.
O acervo paisagístico, combinado com o clima agradável de uma região serrana e com toda uma infra-estrutura de balneários dinamiza o Setor do Turismo. Sem falar na riqueza cultural, em suas várias manifestações, e nas potencialidades do turismo científico em um dos mais ricos sítios arqueológicos do País – a Reserva Fossilífera da Chapada do Araripe. Ademais, não se pode deixar de destacar a importância do turismo religioso, centrado na figura do Padre Cícero, que atrai devotos de várias procedências.
Por sua vez, a posição estratégica em relação às capitais nordestinas, transforma o Cariri num importante Pólo Comercial do Nordeste, “com fácil acesso a um mercado de mais de 40 milhões de consumidores”. Neste caso, tomando como eixo central o aglomerado urbano formado pelas cidades vicinais de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, onde está concentrado um considerável parque industrial, além do exuberante setor de serviços.
Numa dimensão ambiental ou ecorregional, o município de Jardim é parte integrante da CHAPADA DO ARARIPE; um extenso planalto situado entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Nessa Biorregião, o clima vai de tropical quente sub-úmido a tropical quente semi-árido brando, a depender da altitude e da longitude. Também obedecendo a este gradiente submete-se a precipitação média anual, que varia de 698mm no setor ocidental a 934mm no setor oriental; mas acima dos 1.000mm sobre as chapadas mais altas. O período chuvoso ocorre entre dezembro e maio.
No topo da chapada predomina os Latossolos, bem formados, profundos, de fertilidade natural baixa e textura arenosa a areno-argilosa, com acentuada drenagem, a ponto de disponibilizar pouca água de superfície. Aliás, a água que se infiltra sobre a chapada corre por baixo do solo até emergir nas encostas dando origem às inúmeras fontes d’água que embelezam o Vale Caririense. Na cuesta, há uma maior diversidade de tipos de solos, que ainda apresentam em geral maior fertilidade natural do que os Latossolos do topo. A altitude varia de 700 a 950m em relevo tabuliforme. Quanto à vegetação, ocorre a Floresta Pluvial (basicamente nas encostas da chapada) além de formações caracterizadas pela transição Floresta/Cerradão, Cerrado e Carrasco.
Desempenhando importante papel na manutenção do equilíbrio ecológico, climático, hidrológico e edáfico do Complexo Sedimentar do Araripe encontra-se a FLORESTA NACIONAL DO ARARIPE – FLONA; a primeira Unidade de Uso Sustentável criada no Brasil (Decreto 9.226, de 02.05.1946). Tem uma área territorial de 39.262,326 hectares, abrangendo parte dos municípios de Santana do Cariri, Crato, Barbalha e Jardim. Em sua relevante importância de exploração sustentável a FLONA fornece alimento (pequi, cajuí, mangaba, etc.), energia (material lenhoso seco) e remédio (fava-d’anta ou faveira, janaguba, barbatimão); além da atração turística pela recreação e lazer, educação ambiental, pesquisa científica, etc.
No aspecto socioeconômico a região caracteriza-se pela presença de atividades extrativas (produtos florestais não madeireiros e plantas empregadas com fins alimentícios, medicinais e ornamentais), agropecuárias (cana-de-açúcar, abacaxi, mandioca, fruticultura, gado leiteiro, apicultura, ovinocaprinocultura etc.); industrias de transformação (gesso, couro e calçados, indústrias de alimentos, têxteis e farmacêuticas); artesanato, comércio e serviços; vida cultural e religiosa (romarias e peregrinações); turismo etc.
Com relação ao extrativismo, as comunidades extrativistas ali encontradas, ao longo de décadas vêm utilizando a Fava-d’anta, também chamada de Faveira (Dimorphandra gardneriana), o Pequi (Caryocar coriaceum Wittm.) e a Janaguba (Hymathanthus articulatus). É o extrativismo da fava-d’anta o de maior importância econômica, dado o grande interesse da indústria farmacêutica. A rutina, substância bioflavanóide presente nas vargens, “desempenha função na normalização da resistência e permeabilidade das paredes dos vasos capilares” e é totalmente demandada pela empresa alemã MERCK. Também de relevante importância econômica e social está a cata do pequi, cujos frutos são utilizados na alimentação humana e para extração do óleo. Por outro lado, “a elevada demanda do mercado aumenta a pressão sobre as populações naturais das espécies, visto que todo produto comercializado é oriundo do extrativismo. Apesar de décadas de extração, não se verifica o desenvolvimento de estudos (ecologia, demografia, dinâmica de populações etc) que avaliem o impacto da extração sobre as populações naturais das espécies envolvidas de forma a assegurar a sustentabilidade dessas atividades extrativistas.
(1) O artigo é parte de um Laudo Técnico produzido em 2008, com referência ao Município de Jardim/CE, integrante da Chapada do Araripe;

*(2) LCAP - Engenheiro Agrônomo, graduado pela Universidade Federal do Ceará;

Mestre em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará

Perito Federal Agrário do INCRA - CEARÁ
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Foto: arquivo do autor

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