quarta-feira, 2 de outubro de 2013

AURORA: No dia em que o último Trem de Passageiro passou por aqui - Por José Cícero*

Estação de Aurora - Revitalização e tombamento municipal(arquivo Secult)
Passagens de Ida e Volta  à capital cearense julho de 1988(cortesia C. Teixeira)

Há vinte e cinco anos atrás partia para nunca mais voltar o velho e inesquecível trem de passageiro do nosso Cariri. Uma saudade que há muito soa também como um sentimento de tristeza e de revolta por conta do total descaso político perante o fim melancólico e suspeito de um bem verdadeiramente social. Algo que ao longo de anos a fio, aprendemos chamar pelo seu nome simples de Trem.

Além do silêncio cúmplice de muitos potentados diante da inexplicável interrupção do transporte ferroviário do nosso interior.  Algo que se espalhou por todos os rincões do Brasil. Verdadeiro crime de lesa-pátria, já que o trem há muito fazia parte da vida sócio-cultural e econômica do povo, sobretudo do Nordeste. E em especial os mais pobres habitantes dos sertões adentro. Sem dúvida, um  autêntico patrimônio histórico de todas as gerações interioranas que em meados dos anos 80 foi tirado de nós.

Em Aurora o último trem de passageiro vindo do Crato em direção à Fortaleza passou numa tarde ensolarada e calorenta do dia 10 de julho de 1988. Foi-se embora de vez sem nenhuma despedida formal. Como se tudo estivesse combinado à surdina. Isto é, á revelia da população.

A ninguém foi dado sequer o direito da despedida. Do último adeus. Do derradeiro aceno. Do último olhar para que a sua imagem ficasse mais viva para sempre na memória afetiva do povo.

Mas em Aurora, o Agente NEM não se conteve de emoção e avisou para os que compraram passagem naquele dia. Assegurava que aquele seria o trem da ida sem volta. O trem da despedida. Como narrou o aurorense – Cícero Teixeira, que comprara a passagem da foto, com destino à  capital.

Muitos nem acreditaram naquela inusitada informação. O trem estava tão presente nas suas vidas que tinham a certeza de que ele seria para sempre. O trem era de ferro jamais se acabaria. E logo em 88 quando se almejava a Carta Magna, o trem era de fato para todos eles, uma ‘causa pétrea’. Uma conquista eterna.

Em vão, achavam que os políticos não teriam a coragem e a sem-vergonhice de por um fim àquela invenção histórica, cuja existência, precisou de tantas vidas para poder chegar até ali nos grotões do mundo. Mas, o agente estava certo. O sino batia diferente como quem anunciava um féretro. Poucos foram os que estavam na pedra da estação naquele dia. O trem d’Aurora partira para sempre. Diferente do que ocorreu nas cidades de Granja e Camocim na zona norte, quando a população avisada antecipadamente, encheram as estações. Choravam copiosamente e se recusaram até a sair do meio da linha. E quanto o comboio partira todos correram atrás gritando de tristezas como loucos alucinados...

Desde então, desde a João Felipe na capital, todas as estações ficaram desertas. Muitas cidades e muitas vilas, assim como as pessoas ao longo da linha de ferro cobriram-se de silêncio, tristeza e solidão.

Para onde quer que se ande, a linha de ferro com seus dormentes carcomidos pelo tempo agora é um símbolo de luto a se estender pelos sertões...

De lá para cá são tantas as conversas, as mentiras e as promessas políticas. Tudo ludibrio  para angariar os votos dos incautos sertanejos.

E o abandono das antigas estações, quando não demolidas, nos doe como feridas mal curadas. Além de uma história mal resolvida ante o acerto de conta do passado com o presente que nunca se completa.

Tudo o mais são lembranças, saudades, revoltas ou pura solidão.
......................
Por José Cícero
Secretário de Cultura
Aurora - CE.
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www.afaurora.blogspot.com
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Fotos JC - cortesia Cícero Teixeira

4 comentários:

Luiz Carlos Aquino Pereira disse...

Que estória é essa de dizer que acabou o TREM D’AURORA, era um trem de ferro, jamais se acabaria. Foi nesse meio de transporte ferroviário, de largo alcance social, que perfurava o interior cearense, que viajava de Aurora-Fortaleza-Aurora durante os meus três anos de Científico (Ensino Médio) e mais os cinco anos de Faculdade de Agronomia.

Será que o Poderoso Capital das Montadoras de Veículos Automotores, aliado à conivência ou à Corrupção dos Governantes de então corroeram o trem de ferro, o nosso trem d’Aurora?

A nossa sorte é que os governos atuais a toda hora falam em revitalização do transporte de massa, pelo menos é o que costumo ouvir nas barulhentas e quase insuportáveis campanhas eleitorais (ou eleitoreiras?).

Por enquanto resta-me contentar com a informação registrada pelo Escritor José Cícero de que “Em Aurora o último trem de passageiro vindo do Crato em direção à Fortaleza passou numa tarde ensolarada e calorenta do dia 10 de julho de 1988. Foi-se embora de vez sem nenhuma despedida formal. Como se tudo estivesse combinado à surdina. Isto é, á revelia da população”.

Luiz Carlos Aquino Pereira disse...

Que estória é essa de dizer que acabou o TREM D’AURORA, era um trem de ferro, jamais se acabaria. Foi nesse meio de transporte ferroviário, de largo alcance social, que perfurava o interior cearense, que viajava de Aurora-Fortaleza-Aurora durante os meus três anos de Científico (Ensino Médio) e mais os cinco anos de Faculdade de Agronomia.

Será que o Poderoso Capital das Montadoras de Veículos Automotores, aliado à conivência ou à Corrupção dos Governantes de então corroeram o trem de ferro, o nosso trem d’Aurora?

A nossa sorte é que os governos atuais a toda hora falam em revitalização do transporte de massa, pelo menos é o que costumo ouvir nas barulhentas e quase insuportáveis campanhas eleitorais (ou eleitoreiras?).

Por enquanto resta-me contentar com a informação registrada pelo Escritor José Cícero de que “Em Aurora o último trem de passageiro vindo do Crato em direção à Fortaleza passou numa tarde ensolarada e calorenta do dia 10 de julho de 1988. Foi-se embora de vez sem nenhuma despedida formal. Como se tudo estivesse combinado à surdina. Isto é, á revelia da população”.

Luiz Carlos Aquino Pereira disse...

Que estória é essa de dizer que acabou o TREM D’AURORA, era um trem de ferro, jamais se acabaria. Foi nesse meio de transporte ferroviário, de largo alcance social, que perfurava o interior cearense, que viajava de Aurora-Fortaleza-Aurora durante os meus três anos de Científico (Ensino Médio) e mais os cinco anos de Faculdade de Agronomia.

Será que o Poderoso Capital das Montadoras de Veículos Automotores, aliado à conivência ou à Corrupção dos Governantes de então corroeram o trem de ferro, o nosso trem d’Aurora?

A nossa sorte é que os governos atuais a toda hora falam em revitalização do transporte de massa, pelo menos é o que costumo ouvir nas barulhentas e quase insuportáveis campanhas eleitorais (ou eleitoreiras?).

Por enquanto resta-me contentar com a informação registrada pelo Escritor José Cícero de que “Em Aurora o último trem de passageiro vindo do Crato em direção à Fortaleza passou numa tarde ensolarada e calorenta do dia 10 de julho de 1988. Foi-se embora de vez sem nenhuma despedida formal. Como se tudo estivesse combinado à surdina. Isto é, á revelia da população”.

Luiz Carlos Aquino Pereira disse...

Que estória é essa de dizer que acabou o TREM D’AURORA, era um trem de ferro, jamais se acabaria. Foi nesse meio de transporte ferroviário, de largo alcance social, que perfurava o interior cearense, que viajava de Aurora-Fortaleza-Aurora durante os meus três anos de Científico (Ensino Médio) e mais os cinco anos de Faculdade de Agronomia.

Será que o Poderoso Capital das Montadoras de Veículos Automotores, aliado à conivência ou à Corrupção dos Governantes de então corroeram o trem de ferro, o nosso trem d’Aurora?

A nossa sorte é que os governos atuais a toda hora falam em revitalização do transporte de massa, pelo menos é o que costumo ouvir nas barulhentas e quase insuportáveis campanhas eleitorais (ou eleitoreiras?).

Por enquanto resta-me contentar com a informação registrada pelo Escritor José Cícero de que “Em Aurora o último trem de passageiro vindo do Crato em direção à Fortaleza passou numa tarde ensolarada e calorenta do dia 10 de julho de 1988. Foi-se embora de vez sem nenhuma despedida formal. Como se tudo estivesse combinado à surdina. Isto é, á revelia da população”.

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