sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Como se deu a derrota de Tasso...*

Por José Cícero
Se é verdade que até mesmo o pior dos homens guarda consigo, no mais profundo do seu âmago um pouco de dignidade e gratidão. Fico pensando cá com os meus botões com qual dos sentimentos e sensações mais íntegras que movem o gênero humano o Sr. Ciro Gomes deva estar agora digerindo a derrota quase inacreditável imposta ao senador Tasso Jereissati. Mas, por que cargas d’águas esta questão poderia (acaso) preocupar(ou alegrar) o deputado Ciro Gomes que aliás, curiosamente ficará também sem mandato por quatro anos? Ou será que voltará a ser ministro?
Ora, porque foi justamente o velho Tasso (o galeguim) que possibilitou um dia as condições objetivas para que o Ciro e, por gravidade Cid Gomes chegassem aonde estão hoje, isto é, no topo da política cearense.
Ademais, se a pior dor que existe é a dor do remorso. Vou dá um toque, uma ajudazinha ao Sr. Ciro Gomes para que ele, quem sabe, não se martirize tanto. Nisso que alguns chamam de traição. Mas que eu discordo com argumentos garimpados nas entrelinhas e outras divagações.
Na verdade estava tudo montado, porém não avançou... O Tasso não faria nenhuma oposição a candidatura do CID agora em 2010 como igualmente não o fez na campanha de quatro anos atrás. Quando o então governador Lúcio Alcântara foi derrotado nas eleições daquele ano ante a indiferença abissal de Tasso que não queria prejudicar a campanha vitoriosa de Cid e Ciro. Por isso deixou Lúcio ao Deus dará.
Este ano, no entanto Ciro e Cid deveriam apoiá-lo por uma questão, digamos conjuntural ou de gratidão (mesmo) como sendo o segundo candidato ao senado ao lado de Eunício Oliveira vez que este último se tratava de um acordo anterior. Até aí tudo parecia bem.
Só que não contavam com a ferrenha objeção de Lula, os petistas e toda a força do rolo compressor do poder estabelecido que, inclusive, já havia anulado o Ciro com aquela história de fazê-lo candidato ao governo de São Paulo. Tudo para tirá-lo da corrida sucessória.
Ciro caiu como um patinho na esparrela governista. E assim perdeu suas forças, bem como seu poder de barganha; ao ponto de, curiosamente, abandonar uma das suas maiores características. Quer seja: sua ácida eloqüência capaz de detonar tudo por meio da imprensa e aos quatro ventos. Sem papas na língua.
Ficara calminho, calminho....
Não havia outra saída. Do contrário, poderia numa possível briga com o planalto comprometer o projeto de reeleição do irmão ao governo do Estado. Para o qual o apoio do Planalto seria decisivo.
Ciro foi isolado em pleno tabuleiro com um xeque mate a la ‘Lulinha paz e amor’ e os seus oráculos avermelhados. Tanto é que sequer ficou em condição de reivindicar para si a vaga de vice na chapa de Dilma. Pois tinha potencial de sobra para isso, além de uma boa imagem nacional. Em parte, pela boa performance obtida na sua outrora candidatura para presidente representando bem o considerável colégio eleitoral do Nordeste na chapa presidencial.
Mas, enfim, os que os irmãos diriam para Tasso?
Lula e a cúpula do PT batem o pé. Não aceitariam um possível apoio informal da coligação do Cid (PSB) à Tasso como o parceiro de Eunício, o segundo senador.
Então, o PT(leia-se Lula) lançou o José Pimentel . Visto que até então não engolira em seco a recusa dos seus opositores no Congresso quando tentou fazer de Pimentel um ministro do TCU.
Pimentel agora era a peça-chave para anular uma possível aproximação de Ciro com o senador tucano Tasso Jereissati nessas eleições.
Ora, mas se os irmãos Ferreira Gomes batessem o pé e não desistissem da idéia de seguir com Tasso? Sem problema. Lula e o PT já mantinham uma carta infalível sob a manga: Dilma Russef no Ceará subiria no palanque de Lúcio Alcântara(PR).
A cúpula do PT não estava brincando. Lula não daria o seu apóio a candidatura de Cid. E aí o projeto político dos irmãos ficaria de vez comprometido. Poderia quem sabe, ir de água abaixo como se diz por estas bandas.
Era um risco muito grande não ter o apoio político e logístico do Planalto.
Deu a lógica. O previsível ocorreu. Ciro teria mais uma vez que aceitar calado esta imposição.
E assim, a candidatura do Tasso foi relegada à própria sorte.
Ciro e Cid deveriam apoiar como sendo os dois candidatos ao senado: Eunício Oliveira e José Pimentel.
Portanto, com o PSDB esfacelado Tasso ficou literalmente a ver navios. Acuado e sozinho experimentou pela primeira vez a chamada solidão do poder. Por certo não gostou. Mas era perspicaz, forte e destemido o suficiente para não se entregar antes da batalha final.
Suas pesquisas evidenciavam o seu potencial eleitoral. Seu poder de fogo estava descrito nos números de uma ciência exata – a estatística, que desde os anos 80 o havia ajudado a escolher os caminhos da vitória. Não seria desta vez que falharia. Afinal de contas em quase 24 anos de atuação política nunca conhecera o sabor da derrota.
Todavia, o seu quase isolamento era um fato. Sem palanque não ficaria, o ‘galeguim’. Lança mão de um dos seus últimos aliados: O deputado Marcos Cals – ex-secretário do próprio Cid.
Quis o destino que fosse justamente um descendente do coronel César Cals que uma vez Tasso ajudou a derrotar, que agora num momento dos mais difíceis se mantivesse como seu timoneiro leal, fiel escudeiro...
Cals seria seu candidato ao governo do Estado que, de quebra, poderia forçar um segundo turno e atrapalhar de vez a vida dos Ferreira Gomes. Isso se os seus antigos aliados não tivessem provocado uma verdadeira debandada para o lado do poder. Pouquíssimos foram os que ficaram no ninho tucano.
Os neocoronéis do litoral ao sertão se dobraram agora aos poderosos em ascensão...
Como se percebe, com o governo Lula, hoje mais do que nunca, até os “opostos se atraem”.
E as pesquisas continuaram a indicar uma vitória esmagadora de Tasso como o primeiro senador do Ceará. Em alguns momentos os institutos de pesquisa chegaram a apontar que Tasso tinha um percentual maior que os dois senadores do Lula juntos.
Isso começou a gerar um verdadeiro frenesi na cúpula governista.
Os petistas ficaram assombrados.
Ora, a primeira vaga seria do Tasso (PSDB) e a segunda do Eunício (PMDB). E como ficaria o PT? Lula e toda a sua cúpula no Ceará ficariam desmoralizados. Lula prometera fazer Pimentel senador agora teria que agir.
Esperar era algo por demais temerário. A possível vitória de Tasso poderia minar outros projetos situacionistas tanto lá como cá.
E foi o que fizeram.
Lula usou toda a sua força.
Pegaram parte importante do horário eleitoral no rádio e na TV e destinaram para a senatória cearense com a presença direta e persuasiva do presidente. Reforçaram no interior e na capital a militância e os cabos eleitorais.
Não deu outra. Tasso caiu vertiginosamente qual fruta madura além do ponto.
Quem esteve na caso dos 63% da preferência do eleitorado cearense iria amargar na reta final 23,70%. Um percentual que muito se assemelhou ao alcançado por seu candidato ao governo Marcos Cals que no final chegou a(19,51%) e, que surpreendentemente, terminou as eleições na segunda colocação superando o ex-governador Lúcio Alcântara.
Contudo, é quase certo dizer que na política muito mais do que na vida, a gratidão dos amigos e aliados é coisa que não existe como certa. Só por isso talvez, o Sr. Ciro Gomes quem sabe, não esteja tão sentido.
A criatura se voltara contra o criador? Não. Isso não. Quem destruiu Tasso Jereissati não foi Ciro. Foi Lula e o PT.
Ciro sabe, porém não diz, decerto por algum motivo subliminar. Mas ele (Ciro) continua tão vítima de Lula quanto o próprio Tasso.
Para encerrar: Quem aqui faz, aqui paga.... depois, nunca nos esqueçamos que o amanhã é uma incógnita.

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