quinta-feira, 26 de março de 2009

CEARÁ tem 5ª maior taxa de tuberculose do país

Mais um triste recorde! Para variar apenas mais um...
Em 2007, foram registrados 3.474 novos casos da doença no Estado e, no ano passado, 3.043A tuberculose já foi considerada o maior dos males do século XIX, permaneceu como risco no século passado e, mesmo com os avanços no diagnóstico e tratamento, continua assustando neste século XXI. Os números referentes a 2008 ainda estão sendo tabulados. Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram, entretanto, que em 2007 foram registrados 72 mil novos casos da doença no País, com a média nacional ficando em 38,2 por 100 mil habitantes. O Ceará tem média de 42,12, ocupando a quinta posição no ranking brasileiro.Além de apresentar superior à média nacional, o Estado ficou abaixo apenas da incidência do Rio de Janeiro (73,27 por 100 mil), Amazonas (67,60), Pernambuco (47,79) e Pará (45,69). Em 2007, foram registrados 3.474 novos casos no Ceará e, até agora, 3.043 em 2008. Esses números e os problemas que garantem a permanência dos mesmos no Estado serão desenvolvidos hoje pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), dentro do Dia Mundial de Controle da Tuberculose.
Para começar, segundo o coordenador de Promoção e Proteção à Saúde da Sesa, Manuel Fonseca, apesar da aparente redução, não se pode ainda contar a diminuição como verdade absoluta, já que os casos do ano passado ainda estão sendo contabilizados. Em sua avaliação, os registros de tuberculose não têm conseguido atingir redução significativa, com média anual de dois mil novos casos.Depois, há registros de tuberculose em 95% dos municípios cearenses, sendo que o Estado ainda possui 18 cidades na lista do Ministério da Saúde como prioritárias para o combate da doença devido ao alto número de casos de 2008. Nos municípios prioritários, como Fortaleza, Sobral, Caucaia, Maracanaú, Itapipoca, Crato, Juazeiro do Norte e Itapajé, estão 63% dos casos. Uma das razões para esse quadro, acredita, está na alta incidência de abandono do tratamento.Como a atenção é prolongada e nos primeiros 20 dias, os sintomas da doença começam a desaparecer e o paciente sumindo do posto de saúde. A Organização Mundial de Saúde tem como aceitável até 5% de abandono. O índice no Estado, entretanto, está em 8,3%. Em sua avaliação, o problema é que além da falta de conscientização, há casos de tuberculoses atrelados ao uso de álcool e outras drogas cujo acompanhamento se torna mais difícil.A programação de hoje conta também com a participação dos profissionais da Vigilância Epidemiológica e responsáveis pela tuberculose das regionais de saúde e das secretarias regionais de Fortaleza, além dos integrantes do Comitê Metropolitano da Tuberculose. Hoje, não existe uma unidade centralizada para o atendimento de tuberculose, com atenção nos 99 postos de saúde da Prefeitura de Fortaleza. Conforme a responsável pelo Programa de Controle da doença da Secretaria de Saúde do Município, Betânia Linhares, há cerca de 1600 pacientes sendo atendidos. Os casos mais graves são encaminhados para o Hospital de Messejana.Ontem, durante o 3º Fórum Mundial de Parceiros Stop TB, no Rio de Janeiro, relatório apresentado pelo Ministério da Saúde mostra que embora os casos de tuberculose tenham caído 24,4% no Brasil em sete anos, o País continua na lista das 22 nações com maior número de pessoas infectadas. DOSE FIXA COMBINADANovo remédio será usado em tratamentoO Sistema Único de Saúde (SUS) terá, no segundo semestre deste ano, um novo remédio para o tratamento da tuberculose, anunciou, ontem, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O medicamento é o TFC (dose fixa combinada), conhecido como quatro em um. A droga reduz de seis para dois comprimidos a dose diária utilizada atualmente no tratamento da doença.Durante a abertura do 3º Fórum Mundial Stop TB, a principal reunião internacional para discutir a redução e a erradicação da doença no mundo, o ministro explicou, ainda, que o novo esquema terapêutico é mais barato, facilita a adesão do paciente e o combate à multi-resistência do bacilo de Koch, bactéria que provoca a maioria dos casos de tuberculose.O tempo de duração do tratamento e os efeitos colaterais continuam similares. Hoje, 8% das pessoas que começam o tratamento no País abandonam antes da cura.Temporão lembrou que, desde 2003, o controle da tuberculose é prioridade para o governo e que os resultados dos últimos anos confirmam o forte investimento no combate à doença. “Enquanto, em 2000, o Brasil gastou US$ 9 milhões para combater a tuberculose, só em 2008, investimos US$ 70 milhões no programa de combate e controle à tuberculose. De 2003 até hoje, tivemos 10% de redução de novos casos, e nossa meta é que, até 2015, o Brasil reduza pela metade o número de casos da doença.”Saúde da Família
Segundo o ministro da Saúde, para acabar com a doença, o País precisa expandir o tratamento supervisionado, por meio da Estratégia Saúde da Família, que já tem cobertura de 86% na rede pública dos 315 municípios em situação mais crítica. Temporão disse que por meio da atenção básica é possível prevenir doenças como a tuberculose.
Fonte: DN e Ligue-se Sobral(http://www.ligue-ce.com.br/)
foto: internet :: 26-Mar-2009

2 comentários:

Wanir Barroso disse...

TIME...BOMB – A TUBERCULOSE DE HOJE !

Dr. Wanir José Barroso
Farmacêutico-bioquímico e Sanitarista, especialista em Pneumologia Sanitária pela Ensp-Fiocruz-Brasil.
E-mail: wanir.barroso@anvisa.gov.br

Com estatísticas crescentes, a tuberculose infecção e a tuberculose doença vêm representando há alguns anos um retrato fiel da saúde pública praticada nos países em desenvolvimento.
No Brasil, a notificação de casos girou em torno de constantes 85-90.000 casos anuais de 1980 a 2000(MS) e nenhuma estratégia ou medida de impacto epidemiológico visando seu controle alterou seu perfil oficial nos últimos 24 anos. A mortalidade hoje, principalmente associada à AIDS e a multirresistência bacteriana silenciou oficialmente mais de seis mil brasileiros em 1998(MS). E ainda mais, segundo a OMS em 2002, o Brasil foi o 15º país dentre os 22 países com o maior número de casos novos de tuberculose no planeta, com sub-estimados 116.000 casos e coeficiente de incidência de 68/100.000 hab.
A tuberculose além de doença da miséria no Brasil e no mundo, não respeita fronteiras, classe social, cor da pele, sexo ou idade e continua historicamente negligenciada, mantendo seu nível endêmico principalmente através dos pobres, dos famintos e dos imunodeprimidos. Não devemos acreditar que contrair, adoecer ou morrer de tuberculose seja porque Deus assim quer. Médicos, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos e técnicos de laboratório que estão à frente do diagnóstico e tratamento da tuberculose nas Unidades de Saúde engrossam estas estatísticas.
A transmissão da tuberculose pulmonar se dá de forma lenta, silenciosa e invisível aos nossos olhos, pelas pequenas gotículas (aerossóis) expelidas durante a fala, espirro ou tosse do paciente doente em ambientes pouco arejados. Todos somos suscetíveis diante de tais gotículas infectantes.
O não pensar em tuberculose diante de pacientes com sintomas respiratórios, não apenas retarda o diagnóstico e a inserção desses pacientes nos programas institucionais de tratamento, como também compromete a dimensão do risco ocupacional, subestima o risco biológico e coloca a biossegurança em tuberculose em um plano secundário.
Pensar em tuberculose e investir em biossegurança na Unidade de Saúde representa investir em qualidade, representa investir na proteção daqueles que estão na linha de frente do controle da tuberculose, representa investir na contenção de riscos. O uso de proteção respiratória adequada e a adoção de medidas administrativas e de controle ambiental nas Unidades de Saúde podem minimizar o risco biológico e deixar o ambiente de trabalho com níveis aceitáveis de risco ocupacional e de biossegurança.
Cada caso de tuberculose não diagnosticado, perdido no seio da população, gera cerca de 20 novos casos de tuberculose infecção ou doença no período de um ano. Entre todos os infectados, uns desenvolvem a doença e outros apenas a viragem tuberculínica. Quanto mais aglomerada viver a população, maiores as chances de transmissão do bacilo entre os que estão entorno do caso.
Cada caso que abandona o tratamento seqüencial de seis meses, além da possibilidade de gerar novos casos, possibilita transformar o bacilo inicialmente sensível em um bacilo multirresistente (TBMR) às drogas prescritas em sua fase inicial.
Um paciente abandonador de tratamento, além de encurtar suas chances de cura, transforma seu novo tratamento em um tratamento doloroso, caro para os cofres públicos e penoso para a saúde pública, pois a possibilidade de surgirem novos casos de tuberculose primariamente multirresistentes a partir deste, passa a ser uma realidade. Não são raros, pacientes abandonadores de tratamento transformarem-se em pacientes sem possibilidades terapêuticas. Estes casos representam a pena de morte silenciosamente imposta pelo bacilo diante do abandono do tratamento. Não são raros também, pacientes serem abandonados pelas Instituições de Saúde.
O abandono de tratamento tem múltiplas causas que vão desde a desinformação sobre a doença, a prevenção e o tratamento, a falsa sensação de cura logo após o início do tratamento, os efeitos colaterais dos medicamentos, e principalmente à impossibilidade da Unidade de Saúde dar solução aos demais problemas que afligem o paciente doente, como a fome, o desemprego, o uso de drogas lícitas e ilícitas, o transporte, a educação e a moradia digna, arejada, limpa e com certo conforto.
Para controlar a tuberculose hoje no Brasil e no mundo, não basta apenas retirar o bacilo dos pulmões daqueles que conseguem suportar o tratamento nas Unidades de Saúde, mas lhes fornecer junto com o tratamento, alimentos, transporte inclusive para retornar periodicamente à Unidade de Saúde, moradia digna e arejada, esperanças de cura, de vida e de dias melhores.
Não basta também apenas esperar que a tuberculose chegue à Unidade de Saúde em busca de socorro pelas próprias pernas. Ir ao seu encontro, localizá-la, mapeá-la, facilitar o acesso ao diagnóstico e tratamento dos infectados e doentes, aumentar o nível de informações sobre a doença além de promover o estabelecimento de parcerias comunitárias e institucionais deve ser meta e estratégia dos Programas de Controle. Caso contrário estaremos transformando os Programas de Controle de Tuberculose (PCT) em simples Programas de Tratamento de Casos que Aparecem. E a cada caso que aparece e consegue chegar, tem ainda atrás dele possivelmente muitos outros ainda por chegar. Este é o risco de explosão dessa Time Bomb, a tuberculose de hoje!

Wanir Barroso disse...

TIME...BOMB – A TUBERCULOSE DE HOJE !

Dr. Wanir José Barroso
Farmacêutico-bioquímico e Sanitarista, especialista em Pneumologia Sanitária pela Ensp-Fiocruz-Brasil.
E-mail: wanir.barroso@anvisa.gov.br

Com estatísticas crescentes, a tuberculose infecção e a tuberculose doença vêm representando há alguns anos um retrato fiel da saúde pública praticada nos países em desenvolvimento.
No Brasil, a notificação de casos girou em torno de constantes 85-90.000 casos anuais de 1980 a 2000(MS) e nenhuma estratégia ou medida de impacto epidemiológico visando seu controle alterou seu perfil oficial nos últimos 24 anos. A mortalidade hoje, principalmente associada à AIDS e a multirresistência bacteriana silenciou oficialmente mais de seis mil brasileiros em 1998(MS). E ainda mais, segundo a OMS em 2002, o Brasil foi o 15º país dentre os 22 países com o maior número de casos novos de tuberculose no planeta, com sub-estimados 116.000 casos e coeficiente de incidência de 68/100.000 hab.
A tuberculose além de doença da miséria no Brasil e no mundo, não respeita fronteiras, classe social, cor da pele, sexo ou idade e continua historicamente negligenciada, mantendo seu nível endêmico principalmente através dos pobres, dos famintos e dos imunodeprimidos. Não devemos acreditar que contrair, adoecer ou morrer de tuberculose seja porque Deus assim quer. Médicos, enfermeiros, assistentes sociais, farmacêuticos e técnicos de laboratório que estão à frente do diagnóstico e tratamento da tuberculose nas Unidades de Saúde engrossam estas estatísticas.
A transmissão da tuberculose pulmonar se dá de forma lenta, silenciosa e invisível aos nossos olhos, pelas pequenas gotículas (aerossóis) expelidas durante a fala, espirro ou tosse do paciente doente em ambientes pouco arejados. Todos somos suscetíveis diante de tais gotículas infectantes.
O não pensar em tuberculose diante de pacientes com sintomas respiratórios, não apenas retarda o diagnóstico e a inserção desses pacientes nos programas institucionais de tratamento, como também compromete a dimensão do risco ocupacional, subestima o risco biológico e coloca a biossegurança em tuberculose em um plano secundário.
Pensar em tuberculose e investir em biossegurança na Unidade de Saúde representa investir em qualidade, representa investir na proteção daqueles que estão na linha de frente do controle da tuberculose, representa investir na contenção de riscos. O uso de proteção respiratória adequada e a adoção de medidas administrativas e de controle ambiental nas Unidades de Saúde podem minimizar o risco biológico e deixar o ambiente de trabalho com níveis aceitáveis de risco ocupacional e de biossegurança.
Cada caso de tuberculose não diagnosticado, perdido no seio da população, gera cerca de 20 novos casos de tuberculose infecção ou doença no período de um ano. Entre todos os infectados, uns desenvolvem a doença e outros apenas a viragem tuberculínica. Quanto mais aglomerada viver a população, maiores as chances de transmissão do bacilo entre os que estão entorno do caso.
Cada caso que abandona o tratamento seqüencial de seis meses, além da possibilidade de gerar novos casos, possibilita transformar o bacilo inicialmente sensível em um bacilo multirresistente (TBMR) às drogas prescritas em sua fase inicial.
Um paciente abandonador de tratamento, além de encurtar suas chances de cura, transforma seu novo tratamento em um tratamento doloroso, caro para os cofres públicos e penoso para a saúde pública, pois a possibilidade de surgirem novos casos de tuberculose primariamente multirresistentes a partir deste, passa a ser uma realidade. Não são raros, pacientes abandonadores de tratamento transformarem-se em pacientes sem possibilidades terapêuticas. Estes casos representam a pena de morte silenciosamente imposta pelo bacilo diante do abandono do tratamento. Não são raros também, pacientes serem abandonados pelas Instituições de Saúde.
O abandono de tratamento tem múltiplas causas que vão desde a desinformação sobre a doença, a prevenção e o tratamento, a falsa sensação de cura logo após o início do tratamento, os efeitos colaterais dos medicamentos, e principalmente à impossibilidade da Unidade de Saúde dar solução aos demais problemas que afligem o paciente doente, como a fome, o desemprego, o uso de drogas lícitas e ilícitas, o transporte, a educação e a moradia digna, arejada, limpa e com certo conforto.
Para controlar a tuberculose hoje no Brasil e no mundo, não basta apenas retirar o bacilo dos pulmões daqueles que conseguem suportar o tratamento nas Unidades de Saúde, mas lhes fornecer junto com o tratamento, alimentos, transporte inclusive para retornar periodicamente à Unidade de Saúde, moradia digna e arejada, esperanças de cura, de vida e de dias melhores.
Não basta também apenas esperar que a tuberculose chegue à Unidade de Saúde em busca de socorro pelas próprias pernas. Ir ao seu encontro, localizá-la, mapeá-la, facilitar o acesso ao diagnóstico e tratamento dos infectados e doentes, aumentar o nível de informações sobre a doença além de promover o estabelecimento de parcerias comunitárias e institucionais deve ser meta e estratégia dos Programas de Controle. Caso contrário estaremos transformando os Programas de Controle de Tuberculose (PCT) em simples Programas de Tratamento de Casos que Aparecem. E a cada caso que aparece e consegue chegar, tem ainda atrás dele possivelmente muitos outros ainda por chegar. Este é o risco de explosão dessa Time Bomb, a tuberculose de hoje!

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