sábado, 20 de dezembro de 2008

Celebração assinala o 1º aniversário de morte do historiador Amarílio Gonçalves



Familiares parentes e amigos participaram na manhã de sábado 19, na igreja matriz de Aurora da missa pela passagem do primeiro aniversário de morte do ínclito escritor e historiador aurorense Amarílio Gonçalves, cujo desencarne ocorrera na capital paraibana em 18 de dezembro de 2007.
Celebrado pelo padre Cícero Leandro, vigário local, o ato religioso também ficou marcado pelo clima de saudade que dominou o ambiente. Este sentimento estava expresso nos semblantes de todos os participantes. Foi uma bela celebração religiosa bem ao jeito e ao gosto do escritor, que era por assim dizer, sinônimo de modéstia, simplicidade e amor ao próximo.
Sua contribuição à historiografia de Aurora ainda permanecerá viva e forte por muitas décadas por intermédio da mais completa obra dedicada à história, os costumes, as artes e o folclores de Aurora.
Este blog, assim como a Revista Aurora se juntam aos familiares de Amarílio neste instante em que reafirmamos sua memória ante o aniversário dos dois anos do seu falecimento.
Familiares, amigos e admiradores de Aurora, Ceará e Paraíba se irmanaram na manhã de sábado por meio da celebração ocorrida na matriz do Senhor Menino Deus. A revista Aurora se fez representar através do professor Luiz Domingos de Luna.
Lembranças do Amarílio:
Aprendi a admirar o mestre Amarílio, primeiro pela sua obra, depois quando o encontrei pessoalmente no centro de Aurora e juntos caminhamos em conversações cuja temática sempre terminava no passado de Aurora.
Entrevistei-o por mais de uma vez na antiga rádio comunitária Aurora FM, principalmente quando do lançamento da sua Obra: Aurora história e folclore(2ª edição revista) onde ele incluíra novas informações extraídas do meu opúsculo sobre os valores da terrinha(Aurorenses ilustres). O que para mim foi muito gratificante. Depois conversamos por telefone quando o mesmo demonstrou interesse em publicar “Aurora 1908 – Ataque, invasão e saque" na nossa Revista. Indaguei-o acerca de quando o mesmo viria de novo à Aurora. Disse-me que estava adoentado, mas quando tivesse melhora haveria de nos visitar. Depois, pouco antes do seu falecimento, tive o prazer de mais uma vez receber a sua ligação, ocasião em que agradeceu pela publicação do seu material na Revista Aurora. Momento em que parabenizou-me pelo conteúdo do informativo. Meio sem jeito, devo confessar que fiquei envaidecido quando ele, com sua voz quase inaudível e um tanto cansada encerrou sua ligação dizendo:
- Meus parabéns Cícero. Não pare com a Revista, viu. Está muito boa e você escreve muito bem!!.. Na próxima pode contar comigo...
Foi a ultima vez que conversei com o velho Amarílio. Pouco depois, de chofre fui surpreendido com a triste notícia do seu desencarne em João Pessoa.
Guardo ainda comigo uma longa carta a mim enviada com seu texto anexo para publicação(já que como ele mesmo me confessara) não tinha apego a comunicação on-line(computador). Uma carta como nos velhos tempos... Caligrafia impecável, ao ponto de nos transmitir verdades quase absolutas. Pois as missivas edificadas à mão nos dão esta gostosa sensação como um imperativo das certezas plenas. É como se os vocábulos viessem direto do coração. Tenho comigo também as duas edições de suas obras a me autografadas do próprio punho onde me chama de "amigo poeta companheiro das letras. "
Que bom espírito era o do Amarílio... um verdadeiro gentman. Um literato e pesquisador de mão cheia. Uma figura por quem Aurora deveria reverenciar pelos tempos a fora. Já que não o fez em vida e, sequer no momento derradeiro da sua partida para os umbrais universais. Mas, diríamos que a todo escritor que faz da sua pena a sua própria alma, não é dado o direito de não aprender viver com a ingratidão. E o velho Amarílio tirou isso de letra... Posto que aprendeu viver o tempo todo em profunda paz de espírito, consigo e com os outros.
A sua produção historiográfica, além de se constituir como um resgate importante para a geração do futuro, também se reveste de brio ao passo que representa a um só tempo; uma declaração de amor e zelo à terra que o viu nascer e crescer.
Penso inclusive, que os restos mortais do Amarílio deveriam ser transladados para a sua ribeira salgadiana. Para junto enfim, dos seus ancestrais aurorenses. Vontade, aliás, expressa na sua obra, precisamente na página 240 no poema ‘Evocação de Aurora’, quando diz poeticamente:
“ O tempo vai e não volta
Mas eu estou a voltar.
De onde esteja, o aurorense
Quer um dia retornar
Para no rincão de origem
O coração repousar.”
Viva Amarílio! Pois ele se eternizou por meio da sua obra imortal.

Comentário que fiz por ocasião de um artigo do professor Luiz Domingos em homenagem ao escritor Amarílio:

Assaz sensibilizado pela perda irreparável do nosso conterrâneo e historiador-mor de Aurora - Amarílio Gonçalves Tavares, cujo desencarne ocorrera no dia 20/12/2007) na PB, não podia eu deixar de comentar o brado deste articulista-amigo e camarada, Luiz de Luna - que de modo uníssono também chorara por dentro, visceralmente, a morte física do mestre Amarílio.
O artigo do confrade Luiz cobre-se de glória e singular gratidão por homenagear aquele que pela 1ª vez teve a exímia preocupação de eternizar no papel a rica e palpitante história da ribeira Salgadiana. A ele seremos eternamente gratos. Devemos-lhe muito por este feito, árduo, augusto e feliz. Uma conquista que com o passar do tempo valerá ainda muito mais. As novas gerações haverão de reconhecer todo o papel e a importância que teve e terá o nosso Amarílio.
Um brinde por 2008 e pela inexorável certeza de que neste instante o magno historiador e tribuno de Aurora conquistara a vida eterna. Lá do alto etéreo, certamente estará agora sorrindo e intercedendo junto ao Pai por todos os aurorenses e, torcendo pela nossa inspiração, tenacidade e resistência para que possamos "tocar" a dura lida do fazer cultural nos grotões cearenses do Cariri. Por conseguinte, desejo aqui externar minhas sinceras homenagens, tanto à memória do Amarílio quanto a iniciativa do professor Luiz Domingos de exaltar o nome deste historiador através da sua pena construtiva e edificante. Condição sine qua non para a vitória da memória contra o fantasma do esquecimento total.
Saudações amarilianas e aurorenses,
Por: José Cícero
Aurora-CE.

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