segunda-feira, 29 de junho de 2015

Todo o amargor de um rio Salgado*

Nosso rio Salgado está morrendo. Para esta triste constatação não é preciso muito estudo, basta apenas um olhar mais atento para o rio que entre outras coisas, foi o responsável pela origem de Aurora em particular e do próprio povoamento do Cariri em geral.
A despeito de tudo isso, o mais importante manancial caririense a cada dia que passa vem sendo maltratado por uma série de atividades predatórias, dentre as quais, a poluição decorrente do recebimento de grande parte dos esgotos domésticos e industriais, desde o Crato(onde nasce) até o Icó(onde termina). O que  tem o  transformado num verdadeiro esgoto à céu aberto. 
Mas, infelizmente, a degradação não para por aí, vez que no seu percurso de  aproximadamente 13.275 km, 42 dos quais só no território aurorense,  banhando por cerca de 23 municípios; o Salgado sofre ainda um intenso e acelerado processo de assoreamento, provocado pelo desmatamento que não se resumo apenas a sua mata ciliar. Além do crescimento urbano desenfreado que já chegou às suas margens, descumprindo, inclusive, o  código florestal.
De tão poluído, portanto, o rio Salgado não mais oferece - como no passado, a riqueza de peixes a seus pescadores ribeirinhos. Dada a carência do antigo pescado, a intoxicação da fauna hídrica por metais pesados e a invasão de plantas aquáticas etc. Muitas espécies, inclusive, endêmicas do seu bioma já não existem mais, a exemplo da Jutubarana que a mais de uma década é dada como extinta.
O mais revoltante é que, quanto mais o Salgado avança no seu estágio de morte anunciada, mais se nota o quanto inócua, limitada e deficiente(quando existem) são as ações do IBAMA no sentido de coibir os diversos tipos de agressões que pesam sobre o ecossistema salgadiano. Basta ver os últimos acontecimentos relacionados às obras(infinitas) de construção da Transnordestina onde até aterros e construções de pontes(como no sítio Calumbi/Santo Antonio) em Aurora estão sendo feitas praticamente às margens do rio. O que deverá agravar ainda mais o problema no futuro, quando o Salgado encher(foto 2 acima).
Então, o que podemos esperar das pessoas comuns no tocante à preservação, quando vemos que uma obra pública não dá o exemplo? 
Não resta dúvida, a situação do Salgado é gravíssima e inspira maiores cuidados, tanto pela população quanto pelas autoridades competentes. E caso nenhuma providência  seja tomada agora em regime de urgência, daqui a pouco o rio do Cariri entrará num caminho sem volta. Concretizando  o chamado colapso total. Ou seja, a sua destruição, face a poluição das suas águas, o assoreamento, a extinção de espécies animais e vegetais próprias do seu bioma, o processo indiscriminado de barramentos no seu percurso, erosão das suas margens entre outros problemas. 
No mais, sem os investimentos necessários em ações e obras de saneamentos básicos muitas cidades caririenses prosseguem derramando seus esgotos e vários tipos de lixos no leito do rio. Gerando assim um desequilíbrio e degradação sem precedentes.
Caso permitamos que o Salgado morra, todos seremos culpados. Alguns pela incompetência e o não-cumprimento do dever e das suas obrigações públicas. Outros, pela desatenção, ignorância e indiferença para algo que é vital para a vida e a própria sustentabilidade ambiental do planeta.
A morte do Salgado não há de servir a ninguém, tampouco aos que só enxergam poder e dinheiro.
Por isso é difícil aceitar a ideia de uma região tida como desenvolvida quando as pessoas que a habitam não se dão conta sequer de algo tão importante e tão grave, como a situação por que passa o rio Salgado do Cariri cearense.
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Por J.Cícero - Da Redação do Blog da Aurora
fotos: 1,2 Jc, 3 internet

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