sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Pequena Opinião sobre o cantor Reginaldo Rossi - Por José Cícero*

Sem o menor ânimo, hoje fugindo um pouco da rotina, não escreveria nada. Para piorar logo cedo, eis que recebo a triste notícia dando conta do falecimento do cantor Reginaldo Rossi na sua Recife, onde o mesmo se encontrava há dias internado.
Porém, diante do verdadeiro bombardeio de manchetes e dos comentários similares publicados na internet como na imprensa em geral, não teve jeito, me impus, mesmo contrariado, a escrever algo à guisa de modesta consideração pessoal acerca  do lamentável acontecimento. Ainda, no tocante à farta produção artística do imortal Reginaldo Rossi.
Como é comum na imprensa marrom, como via de regra na grande maioria da mídia brasileira acostumadas demais às ideias de rebanhos e a beber na mesma fonte; quase todas as manchetes traziam em letras garrafais '...Morreu RR, o Rei do Brega...'. Ora, mas que besteira! Nada contra este vocábulo que muitos o chamam de gênero(se é que ele existe de fato), mas ao meu juízo, creio que mais brega que os artificiais e descartáveis: Michel Teló, Luan Santana, Gabriel Valim, Gustavo Lima, Israel Novaes, além das bandas de Forró e, até um tal de sertanejo  universitário como tantos outros, que, graças a Deus não sei dos seus nomes. Todos juntos na mesma gamela dos jabás não se comparam sequer ao aspecto autoral do velho Reginaldo.
Gosto das canções do Rossi, mas até certo ponto... Presumo que, até o momento em que ele gravara o tal 'Garçom', que mesmo sendo uma composição ao meu ver de baixa qualidade (pasmem), foi justamente a música que o alçou em definitivo, à condição de verdadeiro pop star e até a este tal título de rei de sei lá do quê...
Todavia, o Reginaldo Rossi foi muito mais que isso. Inteligente e versátil se fizera um bom cantor, excelente compositor inclusive, num mundo onde todos logo se acham estrelas e semideuses... Reginaldo, ao contrário, se postou como ele mesmo, modesto um gentman, boa gente, diga-se de passagem.  
Uma figura humana que nunca se deixou levar pela fama, tampouco pelo dinheiro que, como  se sabe, são coisas passageiras. Como de resto tudo o  mais na vida... Aliás, esse aspecto de pura  modéstia e simplicidade, ficou evidente quando o mesmo esteve em Aurora em show popular em junho do ano passado. Quando com invulgar delicadeza e alegria recebera todos os que  se diziam seus fãs na busca de um autógrafo, um aperto de mão ou um abraço.
Enfim, gosto das músicas do Rossi desde a sua fase galã da época áurea do Ei-ê,ê e da Jovem Guarda nos anos 70, cuja produção infelizmente hoje, as gravadoras parecem querer esconder do público. Gosto do Reginaldo também durante a sua boa fase produtiva dos anos 80  e meados de 1990. Quando se rendera aos ditames das gravadoras fiquei contrariado...
Hoje sei que o velho Rossi com sua excepcional inteligência teve que aderir a um outro estilo como forma de sobreviver diante de uma  mídia impositiva, bem como de um mercador cruel chamado indústria fonográfica. Quando aderira portanto, a este tal de Brega ou coisa parecida. Teve sorte por se dá bem. Pois ficou mais conhecido em todo o país. Dizem que até rico. 
Gravou muito, fez show pelo país inteiro. Vendeu bastante  e conseguiu adentrar os grandes canais televisivos como a própria Globo. O que nunca foi possível para os verdadeiros reis da chamada música  brega, que também foram e ainda o são sensacionais, tais como: Bartô Galeno, Maurício Reis, Carlos André,Abílio Farias, Carlos Alexandre, dentre outros.
Sem dúvida, apenas uma das grandes contradições - coisas do Brasil. Um artista popular do quilate do Reginaldo Rossi só se tornar conhecido pelo povo e respeitado pelos tubarões do mercado, quando teve que produzir  algo aquém do seu verdadeiro estilo e do seu potencial, a exemplo de Garçom,  Dia dos Cornos e por aí vai...
Penso que todos os que se dizem verdadeiramente fãs do R.Rossi precisam conhecer na íntegra o conjunto da sua obra musical pretérita. Decerto, haverão de ficar refertos e muito mais impressionados diante do enorme talento deste grande artista do Nordeste e do Brasil. 
De maneira que, com a sua morte, a verdadeira música popular brasileira ficará muito mais pobre e vazia de emoções e poesia. Abre-se, igualmente, uma imensa lacuna que jamais será preenchida. Primeiro, porque Reginaldo é inigualável e insubstituível, depois, pelo triste fato de que  a música que ora  está sendo produzida e nos oferecida goela abaixo pelos poderosos; de tão pífia e miserável não merece sequer este nome.
Por fim, com extrema saudade, viva Reginaldo Rossi! Posto que permanecerá eternamente vivo no meio de nós, através das suas músicas que nunca morrerão.
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José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo
Aurora - CE.
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