sábado, 6 de setembro de 2014

Açude de Seu Vinô: A última pá de cal ou o tiro de misericórdia?

Imagens do local : Açude e nascente
Na noite da última quinta-feira(4) fomos  informados, através do telefonema do aurorense Sebastião Maciel - Bastim, (representante da AFA) dando conta do  fim do açude do Seu Vinô localizado no Araçá., vez que os  proprietários/herdeiros  do terreno onde  se encontra(ou se encontrava)  o conhecido açude  iniciaram o “arrombamento” da parede para  que o manancial secasse de vez.  O objetivo segundo dizem,  é aterrar por completo o  local para fim de loteamento(ver fotos). 
Diria que, com o fim trágico e melancólico do velho açude de Seu Vinô, não morre apenas  uma simples represa, como tal pode parecer, mas toda uma história densamente ligada não apenas à cidade de Aurora, mas principalmente ao próprio surgimento do bairro Araçá onde a propriedade agora urbana esta inserida.
Com o fim do açude de Seu Vinô morre também  o famoso olho d’Água  que se  situa um pouco mais acima, cerca de trezentos metros voltado para o Norte.  Ambos deram, literalmente de beber ao bairro Araçá e parte da  população do centro em tempos difíceis de seca. Portanto, há mais que um legado histórico e ambiental; como também um forte sentimento memorial que não poderia ser apagado desta forma, sob o silêncio e a indiferenças  dos contemporâneos.
Parede do açude vista ao longe
Algo que de tão grave merecia o repúdio veemente da população, assim como das autoridades e de todos quantos amam de verdade a sua terra.  Uma preservação merecida e necessária não apenas pelo valor histórico e afetivo que aquele lugar representa, mas principalmente, pela manutenção dos aspectos ecológicos e, sobretudo pelos desdobramentos ambientais negativos  que tal intervenção  provocará  na qualidade de vida de todos os  moradores das imediações em particular, como  da cidade em geral.
Eis a força da grana mais uma vez a destruir para sempre coisas belas. O fantasma da especulação imobiliária  aliado ao dragão do capital  engolindo tudo, ao ponto  não querer deixar “pedra sobre pedra”.  Apagando de vez  os rastros de memória histórica em nome do esquecimento total, bem como a identidade do povo  para que as  novas gerações só consigam viver  sob a perspectiva do não-luga.

REPORTAGEM PUBLICADA NA REVISTA AURORA:

Reportagem Revista Aurora
Ainda em 2007 a Revista Aurora através dos professores José Cícero e Luiz Domingos alertava para a importância da preservação daquele local, ou seja,  tanto do açude quanto da nascente como um patrimônio relevante ante a propositura de um projeto voltado para o desenvolvimento do turismo ecológico e de preservação. Cujo nome homenagearia, inclusive, o Sr. Vinô Leite. A reportagem da RA como se ver foi profética, já que era intitulada: "Olho d'Água de Vinô: Pequeno grande sinal de uma morte anunciada".
Tempos depois o representante da Secult manteve conversações com o proprietário do terreno no sentido da manutenção preservacionista do Olho d’Água e da mata ciliar do entorno. Quando até a demarcação foi iniciada com esta finalidade.  A proposta era manter um espaço de preservação ambiental,  destinado à visitação pública, além de  proporcionar ferramentas para  aulas de campo dos estudantes locais. Contudo, a proposta não evoluiu posto que “Voltaram” atrás  quanto à questão da doação pública do pequeno espaço.
Como se percebe, tudo agora permanece à mercê da destruição, algo profundamente lamentável e que certamente trará sérios prejuízos no que tange à qualidade de vida da população.  Justamente agora que uma rua está sendo viabilizada nas imediações da nascente, ligando o Araçá ao alto da cruz do outro lado da cidade.

Um legado que merecia ser urgentemente  preservado:

Açude já completamente  esvaziado
Não tenhamos dúvida. Caso vivo ainda estivesse o Sr. Vinô Leite que, a duras penas, no lombo de animais  construiu  o manancial e preservou a nascente,  não permitiria que esta destruição acontecesse sob qualquer pretexto. Muito menos para  o fim de loteamento urbano.
Com o fim do açude de Seu Vinô , desaparecerá também a nascente que já agoniza, além de um pedaço bonito  e importante da  nossa história  que está se apagando para sempre.
Por maior que seja a força do dinheiro e da especulação imobiliária, fomentados pelo crescimento  urbano, Aurora não mereceria  este tratamento  degradativo da sua história e tampouco  abrir mão de algo tão precioso para o presente e o futuro de gerações inteiras. 
Porque uma grande  memória não pode ter dinheiro que a pague. A verdadeira história não se vende, não se compra,  apenas se preserva e vive.  Posto que toda história, assim como a consciência holística da vida  e do planeta são algo que não se negocia sob quaisquer argumentos. Muito menos sob os interesses  do capital em desfavor da vida e do meio ambiente.
Com um imenso sentimento de tristeza, fica aqui registrado o nosso modesto, porém necessário protesto.
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José Cícero
Aurora – CE.
Fotos; arquivos e Jean Charles
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