sábado, 10 de dezembro de 2011

PENITENTES de Aurora - Parte 2 - Crendices e dogmas

Por José Cícero - Especial para o Diário do Nordeste

ORDEM DA SANTA CRUZ:

Crendices e dogmas marcam fé dos penitentes

Publicado em 7 de abril de 2007

Homens simples do sertão vivem a religiosidade a toda prova. São os penitentes da Ordem da Santa Cruz

Aurora. Pertencentes à Ordem da Santa Cruz, fundada na Itália em meados do século XII por Alinhar ao centroSão Francisco (o santo da natureza), os adeptos da chamada Igreja Rural Laica e Primitiva são, desde muito em Aurora, conhecidos por uma expressão quase mitológica de “penitentes”.

Trata-se de uma imensa leva de homens simples e abnegados que vivem de maneira quase hermética as tradições de uma religiosidade extremamente ortodoxa, muito mais que uma mera profissão de fé, ou seja, como uma extensão da sua própria razão de viver.
Fim do mundo

Profundamente identificados com uma série de crendices, superstições e dogmas religiosos, os integrantes da Ordem da Santa Cruz em Aurora dão continuidade a um movimento que, discussões à parte, remonta à segunda quadra do século XIX, num paralelismo aproximado ao surgimento da própria vila, enquanto núcleo urbano organizado.

Assim como em outras cidades do Cariri, os penitentes acreditam que o fim do mundo está se avizinhando. Eles vêem o pecado como algo intrínseco à natureza humana. Uma chaga permanentemente aberta sempre a exigir das criaturas, uma expiação, um sacrifício — quase como um constante acerto de contas do gênero humano com os céus.

O purgatório e o inferno, para eles, têm o mesmo significado de uma maldição sempre a rondar o cotidiano das pessoas, como uma condenação implacável sobre a qual os cristãos precisam estar o tempo todo em permanente vigilância.

Somente essa compreensão já evidencia a razão principal dos seus atos extremos relacionados à questão da fé. E como tal, o que o pecado original ainda soa a todos eles como uma dívida da humanidade para com Deus.

Elo perdido

A idéia do paraíso é tudo o que estes homens simples do sertão conseguem vislumbrar, como se fosse um “elo pedido”, no horizonte dos seus sofrimentos a se espalhar como um rosário de contas pelos anos afora. A felicidade eterna constitui a sua busca maior de vida.

Por isso o apego dos penitentes à religiosidade e a ritualística de um culto estranho que têm como marcas a harmonia de cânticos desconhecidos a se derramar numa longa e interminável narrativa bíblica e outras historietas de origem apócrifas, cuja melodia das pronuncias ecoam aos quatro ventos como se a fazer uso do mais puro vernáculo latino.

JOSÉ CÍCERO DA SILVA
Colaborador
......................Depoimentos Populares:
DECURIÃO
"Participo da Ordem há 40 anos. Aprendi com meus pais, avós e familiares. Me faz bem participar".
Francisco Caboclo
Decurião dos penitentes

ORTODOXIA
"Conservamos os ritos antigos da ordotoxia penitencial, numa tradição da nossa ordem".
Luiz Domingos de Luna
Mestre de ordem dos penitentes

TERÇOS
"Admiro os penitentes e seu trabalho religioso. Já vi muitos terços tirados por eles".
Antônio de França
Morador de Aurora
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Matéria publicada no jornal Diário do Nordeste no Caderno REGIONAL edição de 7 de abril de 2007.
E na Revista Aurora.

Fotos: José Cícero para o DN
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(*) José Cícero
Professor, Escritor e Pesquisador
Secretário de Cultura de Aurora.

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Fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=421888

Um comentário:

Vanilda disse...

Somos leigos, diante dos mistérios que separam Ceu e Terra! Mas cada qual tem sua Fé.Quando não confundida com esperança e entusiasmo, nos leva a superar nossas dúvidas.
Vanilda SP.(aurorense)

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