segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Aurora: perspectiva sócio-cultural de um novo tempo agora

Tradicionalmente o município de Aurora tem-se notabilizado no cenário artístico do Ceará, do Nordeste e por que não dizer do Brasil, como um verdadeiro celeiro de uma das mais autênticas riquezas culturais do interior brasileiro. Com uma vertente por demais variada, indo da literatura à música, da escultura às artes plásticas, do artesanato à culinária, assim como do repentismo poético(violeiro) ao reisado e aos penitentes da Ordem Santa Cruz. Todos esses valorem compõem o verdadeiro caleidoscópio das preciosidades sócio-culturais do município, de onde não se exclui a enorme diversidade de outros gêneros da cultura popular que juntos, compõem todo o conjunto das manifestações tradicionais peculiares ao cotidiano da gente aurorense.
No entanto, o abandono em que se encontra relegado velhas tradições que no passado fizeram a alegria e a diversão de gerações inteiras como: a dança do coco, o reisado, o bumba-meu-boi, o maneiro-pau, as pastorinhas, o forró de pé de serra, o xaxado, a literatura de cordel, dentre outras, encontram-se hoje quase que completamente esquecidas pelas pessoas consideradas de meia-idade e, praticamente inexistente para os mais jovens que compõem a geração do presente. De tal maneira, não constitui nenhum exagero afirmar que parte considerável das antigas manifestações da cultura popular de Aurora ou já desapareceu ou encontra-se num acelerado processo de extinção, rumo ao esquecimento total. Uma vez que aqueles que eram possuidores deste conhecimento oral, já estejam quase todos falecidos. E como não houve nenhum trabalho de registro e preservação deste patrimônio imaterial pouco coisa ainda resta a fazer neste sentido.
O mesmo acontece com o patrimônio arquitetônico de onde se destacam o Casarão do Cel. Xavier de 1831, a antiga residência da brava matriarca Marica Macedo, o prédio da Estação Ferroviária de 1920, incluindo o de Ingazeiras, juntamente com as residências do Agente da Reffesa da sede e do citado distrito. Todo este patrimônio precisa ser recuperado e tombado(enquanto há tempo) segundo as normas que regem os mecanismos de defesa e preservação do patrimônio histórico e arquitetônico, tanto em nível de estado quanto da própria União.
Um trabalho rigoroso com esta perspectiva prervacionista pode inclusive gerar divisas não apenas no sentido da preservação da memória histórica, mas principalmente no aspecto do turismo local que também precisa ser iniciado. Atualmente nenhum município pode abrir mão desta ferramenta fundamental para melhorar sua economia, investindo na cultura, dando maior visibilidade às ações administrativas lá fora por meio do desenvolvimento das suas atividades turísticas. Não importa se estamos apenas começando, é preciso que para tudo tenhamos uma visão de futuro. Nenhuma ação imediatista funciona bem, quando o negócio é o empreendedorismo, sobretudo no contexto público-municipal.
Por conseguinte, com a implementação de uma política voltada para este setor é possível que Aurora passe a ocupar de vez um lugar de destaque e que tanto merece no cenário regional do Cariri e quiçá no Ceará. Já que potencial para isso possuir de sobra...
O fenômeno relacionado à figura da Mártir Francisca, conhecida no além-fronteira como “A santa Popular de Aurora” constitui um outro aspecto fundamental para a projeção de Aurora e o desenvolvimento do chamado turismo religioso no contexto regional. Mesmo sem nenhum trabalho voltado para o setor(até agora 27/10/08) por parte do poder público, a história da mártir correu o mundo, ao ponto de serem muitas as caravanas de curiosos, devotos e fiéis que vêm todos os anos visitar a capelinha da ‘Santa’. O primeiro passo seria dotar o local de visitação de uma infra-estrutura mínima necessária, proporcionando mais conforto, comodidade e bem-estar aos visitantes. O turismo religioso é outro item propulsor de desenvolvimento de qualquer cidade que preze pela modernidade. Creio que em Aurora não poderia ser diferente.
Por outro lado, temos ainda cerca de 42 km do rio Salgado(o maior rio da região) cortando Aurora de uma ponta a outra. Com a viabilidade do projeto de Transposição do São Francisco que usará o percurso do Salgado como calha natural, ajudará em muito um possível projeto de desenvolvimento voltado para o turismo ecológico em várias partes do rio onde os atrativos naturais são preponderantes. Para tanto, faz-se mister certo investimento no tocante a infra-estrutura de acesso. Para citar apenas alguns dos muitos atrativos naturais do manancial salgadiano: a aprazível vista da ponte; os mergulhos nas suas diversas barragens; o banho e o panorama proporcionado pelo Poço do Meio, o insólito suposto sítio arqueológico da Massalina(sítio Volta), a promoção de pescaria esportiva e controlada em quase todo o seu percurso, etc. Tudo isso, por outro lado, facilitaria o desperta para a necessidade de uma efetiva consciência ecológica atrelada a uma visão mais responsável no tocante à preservação dos recursos naturais do Salgado e por extensão, de todo o bioma aurorense por parte da população. Também é digno, tanto de preservação, quanto de aproveitamento turístico a enigmática necrópole conhecida sob a denominação de Cemitério da Bailarina situada no sítio Carro-quebrado na região de Antas. Enigmáticos resquícios de sepultamentos clandestinos que remontam possivelmente do século XVII.(ver matéria especial publicada na Revista Aurora nº 01/07).
Um município com o potencial cultural de Aurora não pode se dá ao luxo de prescindir de um centro cultural, de um museu, de oficinas de artes e ofícios, de um núcleo de exposição permanente, de uma central de artesanato, de uma biblioteca que seja modelo e referência para o Cariri, enfim de uma política de cultura realmente “agressiva” que possa mostrar aos próprios aurorenses e ao Brasil o que o município tem de melhor nesta área. É inconcebível que tenhamos ainda jovens que sequer já ouviram falar em Hermenegildo de Sá Cavalcante, Jaime de Alencar Araripe, Nêgo Simplício, Serra Azul, Marica Macedo, Padre Francisco França, Padre Luna, Amarílio Gonçalves e tantas outras figuras importantes desta terra. Ainda, muito pouco ou quase nada conheçam acerca da história de luta e formação deste núcleo urbano. Todavia, conhecem de cor e com riquezas de detalhes Madona, Xuxa, Michael Jackson, Tiririca, Bola de Fogo, Ronaldinho Gaúcho e por aí vai...Convenhamos, não podemos permanecer impassível perante esta inversão de valores a cada dia mais crescente. Antes de se estudar o rio Nilo, Tigre e Amazonas por exemplo; é imperioso conhecer o rio Salgado, o Jaguaribe, o riacho do Jenipapeiro, dos Porcos, o açude Cachoeira, o Orós, o Castalhão, a Massalina, o bouqueirão, o olho d'água de Vinô, etc... de modo que o universal precisa começar de fato, por nosso quintal.
Esta constatação também está umbilicalmente atrelada a forma como temos tratados historicamente as nossas riquezas culturais(tradição, o folclore, os saberes do senso-comum) e, por conseqüência o tratamento que se tem oferecido aos nossos valores(os artistas e artesãos). Penso que a própria escola( no seu atual modelo engessador de novas idéias) e, sobretudo a sua metodologia estanque tem ajudado no atual emaranhado destas nossas contradições.
Pois uma cultura de verdade não se cria. Vive-se e se preserva. Ao passo que a cultura é a própria identidade de um povo, sem ela, não se é ninguém... Assim como um povo sem história nunca pode sequer se imaginar no esteio do futuro. Portanto, para que estejamos definitivamente situados no tempo e no espaço por intermédio desta nave cósmica que é a terra, levitando no éter espacial da via-láctea universal no seu eterno itinerário expansionista, precisamos desta visão holística; só nos proporcionada pela consciência plena dos nossos verdadeiros valores sócio-culturais, ambientais e humanistas. É preciso conhecer para viver uma cultura de verdade, sob pena de não sermos ninguém. Ou quem sabe, apenas mais um, perdido para sempre numa massa amorfa que não pensa e não vive por si mesma. Chega, de se viver e consumir gregariamente o que não é nosso.
Por isso acreditamos que Aurora daqui para frente resistirá à tentação. Ou pelo menos se esforçará para isso. Optando por viver e construir um novo tempo cultural para sua gente, com o mesmo entusiasmo de quem constrói uma aventura para uma vida inteira.
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José Cícero -
Professor, pesquisador, poeta e escritor.
Editor da Revista Aurora
Aurora – CE.

domingo, 26 de outubro de 2008

Aurora, uma vitória para entrar para a história

A cidade de Aurora que já deu sinais da sua estreita relação de boa vizinhança com a democracia nas eleições de outubro, vivenciará agora (a partir de janeiro) um novo tempo, um momento dos mais afirmativos da sua história política dos últimos anos. E há razões de sobra para isso. Das mais elementares até as mais alvissareiras e promissoras, hão de impulsionar os aurorenses na sua absoluta maioria, novamente a acreditar na perspectiva de uma Aurora possível. De uma Aurora essencialmente democrática, comprometida com os mais altos sentimentos de civilidade, justiça social e paz. Uma amálgama de gestos e sentimentos em torno do qual sua gente decidiu confiar mudando seus destinos ao sufragar nas urnas os nomes de Adailton e Antonio Landim como prefeito e vice. Mas o que teve de heróico nesta decisão? Afinal de contas, toda processo eleitoral em tese terá fatalmente que apresentar um vencedor. Em tese! Porque do ponto de vista prático, em Aurora tudo ocorreu de modo diferente... Contrariando o convencional, a população radicalizou optando pelos caminhos das mudanças. Ao se permitir mudar de opinião. Vias de regra, há quem até pouco tempo imaginasse que o ‘poder de fogo’ da máquina situacionista fosse algo insuperavelmente demolidor. Inclusive, que a vontade do povo embasada nos princípios democráticos dependesse único e exclusivamente desse poder imaginável.
Os aurorenses provaram assim de maneira tácita e inequívoca que a partir de agora o poder da razão vale mais que a força do poder. Eis aí o diferencial dos mais elogiáveis que ocorrera na eleição da “rainha do Salgado”. No mais, nunca é exagero ressaltar que, todas às vezes que se fez preciso reagir para salvar-se a si mesma, Aurora soube dá o exemplo da maneira mais altiva e resoluta possível. Impondo-se pela força monumental do voto livre e soberano, fazendo-o de arma para assim derrotar os poderosos. Aqueles que embebidos pelo poder político e sem compreender a dinâmica imutável da sua transitoriedade, permitiram-se o tempo todo brincar de Deus, como se olhassem do alto, a população com a particular indiferença que se têm às formiguinhas. Por tudo isso, digamos ser Aurora não por mero capricho da sorte, mas por puro instinto de sobrevivência, a mais autêntica fênix do Cariri.
Indubitavelmente, a vitória de Adailton e Antonio Landim constituiu-se num fato extremamente memorável, quando fora possível vislumbrar dois campos diametralmente opostos; em todos os aspectos que se queira considerar. Não obstante, todas essas nuances que, aliás, se tornara verdadeira praxe nacional, cumpre destacar que nenhuma força, sobretudo em se tratando de política poderá suplantar a vontade popular. Esta constatação ficou evidente de uma vez por todas, nas eleições de outubro quando Aurora de uma forma quase heróica optou pela raia da mudança, numa autêntica manifestação das mais lisonjeiras e entusiasmadas. Ao passo que expressou por completo, o sentimento de uma gente decidida, consciente dos seus objetivos e, com este gesto democrático conseguira gritar se fazendo ouvir pelos que sempre subestimaram sua capacidade de decisão muito mais do que a de se indignar. O recado das urnas, portanto, não tem meio-termo, é quase uma sentença de granito: Aurora não se deixará nunca mais ser escrava de ninguém.
Este recado, portanto, mais que a expressão de um povo feliz, consciente e decidido naquilo que pensa, busca e realiza, vez que nunca perdeu de vista a capacidade de lutar pela utopia dos dias melhores; que a um só tempo, constituem a própria ânsia de uma coletividade comprometida com o novo amanhã de uma terra, cujo futuro há muito, vem se constituindo na sua própria razão de ser. De tal sorte que o sonho de um futuro promissor representa por si só os interesses mais imediatos da boa gente aurorense. Neste sentido, é notório afirmar que as responsabilidades a serem enfrentadas pelo prefeito eleito, aumentam proporcionalmente na razão direta da expectativa com que a municipalidade espera de um gestor jovem, eleito pela primeira vez, corajoso e diferente. Aos novatos, é como se não lhes fosse dado sequer o direito de errar. Como se neste caso, errar definitivamente, não pertencesse à esfera humana. O ato de governar para os chamados “marinheiros de primeira viagem” parece exigir muito mais que só perícia, inteligência e ousadia, como seria natural, mas sobretudo, exigirá quem sabe, uma conexão quase holística e mais direta com os deuses do Olimpo.
Mas, digamos, contudo, que essa despretensiosa consideração subjetiva deste artigo de opinião não passe de uma mera temeridade, ‘folclore’ como se costuma dizer por estas bandas... No entanto, ciência política é algo, cujos resultados práticos dependem muito mais da maneira e da disposição com que as pessoas resolvem se doar à questão do bem servir como uma alternativa de transformação da sociedade, muito mais do que o simples fato de gerenciar o bem público e com eles, os problemas, as contradições e os interesses às vezes espúrios(com raras exceções) de uma minoria inteiramente descompromissada com o social.
Quanto à questão de Aurora, o novo prefeito muito antes da campanha ir às ruas, deu provas suficientes da sua vontade de realizar o melhor por sua gente. Tem, por conta disso, cacife de sobra para trabalhar sob a insígnia da fé e a disposição de sempre travar o bom-combate. Seus sucessivos mandatos no legislativo foram por asim dizer indicativos que o credenciaram para a conquista do executivo com tal brilhantismo que só possuem os grandes líderes.
Ao priorizar sua campanha no exercício da ética, nas idéias propositivas e na tolerância, aliás, uma coisa nova na política de Aurora, Adailton Macedo conseguira conquistar parcelas importantes da sociedade, em especial, a juventude, formadores de opinião, professores, dentre outros. Ressalte-se igualmente, a aliança que fez com o agora vice prefeito eleito, o sindicalista Antonio Landim, ex-vereador do PT e presidente do STR de Aurora. Por fim, a eleição desta dupla, representa um compromisso selado com os interesses dos que durante anos a fio permaneceram na chamada margem da história. Principalmente aqueles que a sociologia política contemporânea convencionou denominar por uma questão quase didática de “carentes, oprimidos, injustiçados ou marginalizados socialmente”. E que ninguém nunca mais cometa a bobagem de querer subestimar a capacidade de reação da nossa gente. Pois, na história da humanidade, todas às vezes que o poder conseguiu subir a cabeça de qualquer líder, os seus liderados tomaram-no de volta. Na história da civilização humana, portanto, esta assertiva tem se transformado quase num axioma. Algo realmente insofismável... Daí a importância de se está sempre aberto a aprender dialeticamente com os bons exemplos da história.
No entanto, haveremos de convir: Aurora precisa muito mais que apenas isso. É preciso, num ato premente e sem mais delongas, recuperar o tempo perdido. Mas, diga-se de passagem, que qualquer forma de mudança tem que ser implementada não como um tratamento de choque, porém com uma base excessivamente prática, inteligente e ousada. Numa investida que se concentre e que tenha como foco o cerne dos problemas fundamentais que não se perda em medidas avulsas dispersas, episódicas, inoperantes e paliativas. Um governo que priorize os resultados, que tenha como norte, uma visão larga e consciente dos seus objetivos mais sublimes, sintonizados com o anseios do povo. Um governo que consiga enxergar e apostar sempre no novo como um caminho aberto às possibilidades. Que aposte sem medo no saber e na construção efetiva do conhecimento como um eficaz instrumento de transformação da sociedade. Que veja na educação, saúde e cultura a certeza de dias melhores. Um governo que na prática, muito mais que nas aparências, priorize a essência de todas as coisas, bem como as boas idéias para o engrandecimento das suas ações administrativas e da vida social como um todo. Que assimile com a mais absoluta racionalidade e austeridade o direcionamento dos recursos públicos com a convicção de que se trata de investimento no futuro e não como meros gastos sem significação algum.
Isso porque governar, acima de tudo, é encarar o presente não pelo ângulo das dificuldades simplesmente, porém como uma grande chance de mudar para melhor a vida e a própria história de uma geração inteira. Tudo isso será possível quando existe a vontade, a coragem e a determinação de se construir o novo. Pois como diria o poeta, o que importa de verdade é um novo jeito de caminhar.
Caminhemos então, todos juntos, sem vacilações, rumo à Aurora dos nossos sonhos.
Por José Cícero
Professor, pesquisador e escritor
Editor da Revista Aurora
Aurora – CE.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

AURORA: Pesquisadores da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço(SBEC) são recebidos por representantes da Revista Aurora


Na manhã do último domingo, 19 a Revista Aurora a frente o seu editor e redator José Cícero juntamente com os professores Ronaldo Santos e Luiz Domingos recebeu a equipe de pesquisadores da Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço(SBEC) com sede na cidade de Mossoró no Rio Grande do Norte. Pouco mais de dez pesquisadores estiveram em Aurora no sentido de visitar alguns dos locais frequentados por Lampião quando das suas passagens pelo município salgadiano. Dentre os locais visitados pela SBEC destacam-se o sítio Ipueiras( onde ocorreu a tentativa de envenenamento e emboscada do rei do cangaço e seu bando), o sítio Ribeiro(local do confronto entre os cangaceiros e a volante do Governo), além do antigo prédio da estação ferroviária onde aconteceu o célebre assassinato de um dos maiores coiteiros do rei do Cangaço no Cariri, Izaías Arruda. A equipe da SBEC esteve representada pelo seu fundador e presidente de honra o escritor e pesquisador pernambucano radicado em Mossoró Dr. Paulo Gastão, o professor e historiador da UFCG de Cajazeiras-PB Francisco Pereira, A drª Francisca Martins, neta do cangaceiro Sabino Gomes, o pesquisador e poeta Kydelmir Dantas, além de outros intelectuais integrantes da imensa plêiade dos estudos lampiônicos. A primeira parada da equipe da SBEC se deu na residência do Sr. José Bernardo atual proprietário da histórica fazenda Ipueiras que antes pertenceu Zé Cardoso e Izaías Arruda.
Reportagem para a Revista Aurora:
Na oportunidade, o professor José Cícero, aproveitou para distribuir aos pesquisadores o mais recente número da revista Aurora juntamente com sua última obra “Enxada, Foice e Suor”. Além disso, realizou uma série de entrevistas com alguns integrantes da SBEC com vistas à reportagem especial que a Revista está preparando para a próxima edição, dando continuidade a pesquisa referente a passagem de Lampião pelas terras aurorenses. A próxima edição da RA está prevista para meados de janeiro. “Estamos concentrando esforços no sentido de que a nossa Revista Aurora possa a partir de então ter uma periodicidade garantida. Vida longa como desejamos. Acreditando que desta feita os mecenas aurorenses compreendam a importância do nosso esforço e, sobretudo deste projeto científico-literário e jornalístico”, explicou o editor. “Cremos que de agora em diante, não haverá mais espaço para as velhas incompreensões. Porque novos tempos são sempre propícios às boas idéias. A visita da SBEC à terrinha é uma constatação inequívoca do enorme potencial histórico e cultural deste município. Coisa que a Revista Aurora já vinha insistindo desde o seu número de estréia”, finalizou.
Durante a visita, os pesquisadores da SBEC em conversações com José Cícero também confirmaram a disposição da entidade em realizar o 2º Seminário sobre o Cangaço na terra do Menino Deus. A proposta será discutida com o prefeito eleito Adailton Macedo logo após sua posse que acontece em janeiro, ponderou o redator.
Seminário do Cangaço:
Durante todo o sábado, 18 a SBEC havia realizado em Cajazeiras - PB o 1º Seminário do Cangaço daquele município, sob o tema: Lampião, Cangaço e Nordeste. Oportunidade em que foram divulgadas tanto a cidade paraibana, quanto a pesquisa e discussão acerca do Cangaço e a Cultura nordestina de um modo geral. O evento contou ainda na sua programação, com mostra e feira de livros, palestras, debates, apresentações culturais e passeio histórico por algumas das ruas de Cajazeiras por onde Lampião e seu bando passaram em confronto com adversários e desafetos.
Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço - SBEC:
A Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço foi fundada em 13 de junho de 1993, data do aniversário que relembra a entrada de Lampião e seu bando na cidade de Mossoró -RN. É uma entidade sem fins lucrativos que coordena um maior entrosamento entre os pesquisadores, escritores e artistas brasileiros que estudam e divulgam não somente o cangaço, mas o Nordeste como um todo.
Assuntos como Cangaço, Coluna Prestes, Canudos, revoltas: Praieira, Balaiada, Cabanagem e Quebra-Quilos, Canudos, Calderão; Juazeiro, Padre Cícero, Delmiro Gouveia e o progresso do nordeste, Quilombos, movimentos messiânicos, Luiz Gonzaga, Patativa do Assaré, Jackson do Pandeiro e a Música Popular Nordestina; a Cultura e a Arte nordestinas são prioridades nos estatutos da SBEC para o debate e a divulgação em eventos espalhados pelo Brasil e o exterior. A entidade é composta por: Escritores, Pesquisadores, Poetas, intelectuais e alunos que se interessam pela pesquisa hitórico-sociológica do Nordeste e do Brasil.
Depoimentos de alguns representantes da SBEC:
“Queremos fazem com que os jovens conheçam, estudem e compreendam a história do Nordeste e do Cangaço, disse o professor paraibano Francisco Pereira”.
O papel da SBEC é congregar cada vez um número de pessoas que estejam dispostas a estudar as nossas origens... Eu me sinto extremamente satisfeito por está pela primeira vez em Aurora. Passei muitas vezes pela BR 116 e sempre quis vir a Aurora.
Então Aurora representa a definição que corre o mundo de que foi daqui pela mente do Izaías Arruda que tudo se formou com o Zé Cardoso e o Massilon. Este último teria sido o grande informante sobre o núcleo urbano de Mossoró. As notícias que o Massilon traziam eram de que aquela cidade já era grande, com iluminação, calçamento e banco. Mas a primeira a ser atacada foi Apodi(maio), depois é que foi Mossoró em 13 de junho de 1927. Era Massilon da Aurora, o homem que conhecia os caminhos e as pessoas consideradas ricas, quem era importante e quem não era”, afirmou Paulo Gastão.
Estar em Aurora é plantarmos uma semente e depois verificarmos como que nós ao sairmos daqui vamos dizer o que levamos: A boa acolhida, o aspecto da cidade em si nos pontos que nós conhecemos e, vamos ver como podemos dizer aos outros: 'vá para Aurora e experimente do que eu experimentei'. Gostaríamos de criarmos um ele de ligação entre Aurora com o seu povo e sua história para que os outros que estão lá fora e não sabem da pontecialidade aqui existente tome conhecimento deste fato. Então é preciso que haja a confirmação inicial no sentido de que Aurora não pode e não deve em momento algum esquecer de um trabalho profícuo de resgate da nossa própria história. Nós não podemos cometer erros como cometeu o Americano que quando perdeu a guerra do Vietnã passou a escrever seus livros afirmando que havia ganhado. Vamos escrever nossos livros e não esquecer de que houver Cangaço... Não vamos deixar de exaltar, por exemplo, a figura de Conselheiro, a partir de Quixaramobim no Ceará. Um homem que aglutinou os pobres nordestinos e sertanejos. A nossa defesa tem que ser intransigente da nossa terra, da nossa cultura; mostrando aquilo que deve ser mostrado. Sinto-me muito satisfeito, por ter sido bem recebido aqui em Aurora como ontem fui em Cajazeiras.
Ipueiras: estou fazendo um trabalho intitulado a geografia do cangaço ou a geo-história. "Nós estamos plantando uma semente aqui em Aurora e você vai ser o homem que vai agua-lá. Vou sai daqui fortalecido, engrandecido com o conhecimento que adquiri. Cheguei um ‘cabra do Mobral’ e saio um doutor"... concluiu.
Kydelmir Dantas – "Não vemos Lampião nem como bandido nem com o herói, mas como história. Estamos hoje em Aurora para conhecer por onde passou o bando de Lampião, com quem manteve contato, quem deu apoio, pois a partir daqui é que saiu toda a trama para o ataque a Mossoró no dia 13 de julho de 1927... Não se pode dissociar o cangaço do coronelismo, da música popular nordestina, da coluna Prestes, da literatura do Cordel, enfim de um grande leque em que está ligada a SBEC. Uma entidade consolidada até internacionalmente há 15 anos, já que temos mais de cem sócios espalhados pelo Brasil e pelo exterior que se preocupam em estudar os temas relacionados a pesquisar e a divulgação da história, a geografia e sociologia do Nordeste, disse.
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Por: José Cícero - In Revista Aurora
Aurora – CE.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

AURORA: População retorna às ruas para comemorar em alto estilo a vitória de ADAILTON e ANTONIO LANDIM.


Depois de uma campanha das mais acirradas os aurorenses agora se preparam para a grande festa da vitória prevista para domingo 19. Mas as comemorações não param por aí, posto que às 18 h acontece uma grande carreata saindo da vila Paulo Gonçalves percorrendo as principais ruas da cidade, culminando com um ato público na praça da matriz seguido de show musical franqueado à população. Tais manifestações em que pese o grande entusiasmo popular, marcarão de maneira apoteótica a eleição do prefeito Adailton Macedo(PSDB) e do seu companheiro de chapa, Antonio Landim(PSC) à prefeitura de Aurora. Um fato que a um só tempo representa contentamento social e uma virada na história política do município.

O desejo do povo foi de fato, construir o novo

A coligação vitoriosa que recebera a sugestiva denominação de “o povo construindo o novo” encabeçada pelos partidos PSDB, PSC, PMDB, DEM e PMN marcou as eleições deste ano, não apenas pelo quesito organização, mas sobretudo pela derrota que imprimiu à candidatura da situação apoiada que foi pelo atual prefeito de Aurora. Outro item digno de destaque, diz respeito ao estilo ético-político assumido durante a campanha pautado na ética, no respeito e na tolerância. Estes foram apenas alguns dos atributos empreendidos desde o princípio, pelo candidato eleito Adailton Macedo. “Nossa candidatura primou, pela organização, pela inteligência e pelo conjunto de propostas qualitativas oferecidas como projeto para melhorar a nossa Aurora. Foi, portanto, uma campanha essencialmente proporsitiva, ética, consciente e respeitosa, pois o nosso povo merece sempre o melhor”, explicou o candidato eleito. “A partir de janeiro iremos fazer uma administração das mais democráticas, operosas e participativas voltada para o social na busca de melhores dias para nossa gente”, finalizou.

Uma vitória realmente incontestável

Com uma maioria de 892 sufrágios, o candidato do PSDB derrotou seu opositor, mesmo este último contando com o apóio irrestrito do atual gestor, numa prova inconteste de que o sentimento de mudanças e renovação foi o tempo todo, uma constante não apenas nas manifestações populares ocorridas em todos os quadrantes do município, como também agora, ante o resultado insofismável expresso através das urnas.

Com cerca de 8.293 votos recebidos, 52,84% dos votos válidos, além de ter sido da sua coligação o vereador mais votado – Chico Henrique(PMDB) com 1.362 votos. O que só veio corroborar a evidência daquilo que há muito demonstrara em alto e bom som, o eco mudancista das ruas, bem como dos rincões mais distantes das paragens salgadianas do Cariri. A ânsia popular por mudanças e renovação foi uma constante desde o primeiro dia de campanha, afirmou a assessoria do candidato eleito.
Adailton Macêdo assumirá em janeiro os destinos da sua terra. Um imenso desafio para quem, pela primeira vez terá que enfrentar uma série de problemas de cunho social, econômico-financeiro e de infra-estrura.

Verdadeira Onda Azul invadiu Aurora

Logo após a vitória do novo prefeito, uma verdadeira onda de alegria e contentamento tomou conta de Aurora de uma ponta à outra. O azul, que se tornou oficialmente o colorido da campanha, agora se faz cada vez mais presente, desde a sede aos distritos da zona rural. De modo que, virou de vez como dizem: “a cor da esperança”. A expectativa é de que a festa deste domingo deva se transformar num ato público e festivo dos mais concorridos desses últimos anos, a julgar pela maneira entusiástica com que a população está a aguarda o evento. Várias autoridades, lideranças políticas de Aurora e região, além dos vereadores eleitos e correligionários da dupla vitoriosa já confirmaram presenças na festa que terá a animação das renomadas bandas de forró: Namoro Novo e Arreios de Ouro. “Esta não será apenas a festa da vitória, mas principalmente, a festa da história”, assegurou a organização.

Histórica vitória construída aos poucos pela força do povo

Toda a população está sendo convidada a participar do ato comemorativo da vitória - momento especial em que os aurorenses celebrarão mais que um instante meramente festivo, mas, especialmente, o marco inicial de um tempo novo. Quem sabe, o primeiro gesto expresso de um povo altivo, sempre presente, abraçado à esperança, toda vez que se fizera necessário lutar. Um compromisso, portanto, claramente selado com o futuro e o bom-senso em nome da justiça social, muito mais que com a simples caridade. Com a democracia, muito mais que com a boa-vontade simplesmente. Com a cidadania muito mais que com o casuísmo das velhas e temerárias circunstâncias. Tudo isso porque agora em Aurora, a força do povo se corporificou num ato contínuo de coletividade plena e sentimento altruísta dos mais autênticos, quando de fato, a sociedade faz jus ao governo que escolhera para comandar os seus destinos... Nem que para isso, como deveras ocorreu, fosse imperioso, vencer-se a si mesma em nome de uma esperança firme, inquebrantável, resolutamente fincada tanto na história, quanto num futuro de prosperidade, esperança, fraternidade e paz.
A eleição de Adailton e do sindicalista Antonio Landim, por fim, é mais uma evidência de que o povo pode mais!

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Por José Cícero
Aurora - CE

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