terça-feira, 26 de março de 2013

"Penitentes" de AURORA realizam o primeiro Terço da Semana Santa

Por José Cícero
Penitentes à noite nas ruas do bairro Araçá de Aurora-CE.

Pertencentes à Ordem da Santa Cruz fundada na Itália no século XII por São Francisco; os adeptos da chamada igreja rural laica e primitiva é desde muito em Aurora, conhecidos por uma expressão quase mitológica de "Penitentes".

Em pleno período da 'semana santa' onde segundo a tradição judaico-cristã  começa o sofrimento e martírio de Cristo. Em AURORA um grupo de homens simples há anos  seguem à risca a penitência da dor e sofrimento, literalmente na própria carne. 
Conforme eles, com o objetivo de se redimirem perante os pecados do mundo e, ainda  aplacar as agruras de Jesus diante do seu Calvário. 
Mesmo discretos nas suas estranhas ritualísticas religiosas, eles são bastantes conhecidos. Fazendo parte por isso mesmo do próprio imaginário popular das pessoas.  São conhecidos como seres lendários e quase mitológicos. Mas não pela identidade individual dos seus membros, porém pela existência  das suas manifestações, que em Aurora remontam(segundo dizem) a segunda metade do século XIX  que ganhara força com o apoio do conhecido padre Ibiapina. Tempos depois, como o decisivo  apoio do próprio padre Cícero e, em seguida Frei Damião. 
"Chagas" manchas de sangue na parede
São portanto, conhecidos simplesmente pela velha alcunha de "Penitentes". Homens sertanejos que em pleno século XXI  ainda conseguem encarnar  no corpo e na alma uma crença  inusitada e realmente estranha para os padrões da chamada pós-modernidade. Detentores de uma fé inabalável e incondicional ante o sagrado, por isso mesmo revestida de muito entrega e doação espiritual. Prática que, segundo relatos históricos, é originária da idade média nos mosteiros do continente Europeu. 
Noutros tempos, por sinal a região do Cariri era pródiga  nestes expedientes, quando  era considerada um dos municípios com o maior número de grupos em  plena atividades, com quase trinta no total. Hoje no entanto, a duras penas, só restam dois. Sendo que apenas um encontra-se em atividade, ou seja, se reunindo  com certa regularidade.  Todavia, correndo sério risco de acabar para sempre, visto que, conforme o próprio Decurião - chefe do grupo, o Sr. Geraldo Caboclo do sítio Salgadinho "os jovens de hoje não se interessam mais pela irmandade nem pelos 'Alertai' que praticamos". 
No passado, afirmou  ele, "a coisa era diferente, a gente tinha era que escolher, pelos procedimentos, quem devia entrar no grupo". "Agora a juventude só quer mesmo saber é de festa, parece que tem até vergonha de rezar e de se doar para Deus", completou.
Atualmente, a maioria dos que ainda  integram o grupo de Penintes de Aurora beiram a média de idade dos setenta anos. Muitos deles pela idade e a saúde complemetida nao têm mais como acompanhar o trabalho do grupo.
Pertencentes a chamada Ordem da Santa Cruz de Aurora, os penitentes se dizem ainda estarem psicologicamnete ligados a chamada igreja rural laica, cujo ritual no geral difere e muito, da prática realizada pela igreja católica oficial. Mesmo  que todos eles asssegurem ser "Católicos apostólicos romanos"  e, que também reafirmam "devoção e obediência ao papa, ao Bispo e ao padre".  
Trata-se, portanto, de uma antiga tradição religiosa que por muito tempo marcou profundamente à história e a vida do povo sertanejo e nordestino. E que infelizmente agora, corre sério risco de desaparecer para sempre. Uma manifestação hermética e popular que compõem  o cenário da nossa cultura regional.

Terço da Semana Santa no bairro Araçá:
Na noite da última segunda-feira(25) o grupo dos Penitentes aurorenses participou da "reza", realizando a celebração(alertai) ou "terço da semana santa"  que todos os anos acontecem na residência do casal de aposentados o Sr. José Serafim e Dona Maria Gomes residentes no bairro Araçá. 
Ambos se cosideram admiradores das 'rezas e dos benditos' dos penitentes desde que eram meninos e moravam na zona rural. Quando os trabalhos dos penitentes eram visto como muito respeito e devoção sincera.
Tendo sido iniciado, como é comum,  após  às 23 horas  o terço foi concluido depois de meia-noite.
Marcado por uma série de cântigos e benditos antigos numa linguagem  quase incompreensível, os penitentes ainda chama, a atenção de muita gente. Algumas pessoas se dizem ter até medo dos mesmos.
Na noite de segunda, a parte mais forte da celebração, ficou por conta do ritual de autoflagelação penitencial(fotos) que teve início a partir da meia noite. Como preparativos, todas as portas e janelas da residência foram fechadas e vedadas com panos e toalhas. Em seguida, quatro dos participantes se ofereceram para o sacrifício. 
As manchas do sangue espargidas pelo ato, chamdas de "chagas de Cristo" deverão permanecer nas paredes da sala por no mínimo, sete dias, segundoo afirmou o casal o próprio casal. 
Foi por assim dizer, a mais pura expressão da fé levada as  suas últimas consequências. Quem sabe, a força  incomensurável e quase incompreensível da tradição religiosa leiga em favor da eterna  luta do sagrado contra o profano. Uma crença religiosa que simplesmente não podemos explicar por meio de palavras. 
Uma cena forte, mas que a todos sugere refletir um pouco mais acerca do próprio gênero humano em relação à divindade  e  o imponderável da vida. 
Por fim, como se diz, simplesmente, é preciso ver para acreditar...
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P/ a Redação do Blog de Aurora.
Fotos: José Cícero
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Artistas e Artesãos de AURORA deverão participar em abril da Feira de negócio e artesanato na cidade do Barro

 Da Redação:
Promotor da Fenart  Geraldo Sinésio e o secretário de Cultura José Cícero

Na manhã da  última quinta-feira(21) o secretário de cultura e turismo do município de AURORA  o professor José Cícero recebeu na sede da Secult o produtor-organizador da Feira de Negócio e Artesanato do Cariri - FENART, o senhor Geraldo Sinésio(foto)
Na pauta, os entendimentos com vistas a possível participação do município no referido evento; que este ano ocorrerá na vizinha cidade de Barro durante os dias 26 e 27 do mês de  abril das 17 às 22 horas no centro daquela cidade.  
O evento será aberto à participação dos vários municípios da região,  que  se interessem em mostrar seus potenciais nos mais diversos  segmentos  da sua economia, especialmente a  criativa. Segundo explicou o promotor  durante o encontro. A feira focará ainda além da arte e do artesanato, outras importantes variantes das economias e dos negócios peculiares a cada município. Como instrumentos fundamentais  para a geração de uma polítia permanente de emprego e renda. Além da valorização artística e econômica de cada cidade participante.
Será um instante também festivo com uma programação das mais diversificadas, disse o promotor. "Cada município, terá um Stand de exposição que será franqueado pela organização do evento e, sem nenhum ônus", explicou. "Cultura e economia, por meio da arte e do artesanato" disse o representante da Fenart.
Além do secretário de Cultura, ele também conversou com a atual secretária de Ação Social do município Bernadete Gonçalves acerca  da participação de Aurora. 
Na próxima semana, após o feriado, o secretário JC deverá está se reunindo com o prefeito municipal Adailton Macedo, oportunidade em que estará apresentando alguns projetos de trabalho da sua pasta, incluindo a questão da feira de negócio. Assim como o necessário detalhamento referente a possível participação de Aurora, dentre outros assutos.
A proposta da Secult-Aurora é reunir   todos os artistas e artesãos aurorenses em torno  da feira, ocasião em que os mesmos participarão diretamente da exposição e venda dos seus produtos e peças de artes, enfatizou o secretário.
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Da Redação do Blog de Aurora, Secult-Aurora  e do site Cariri de Fato.
Fotos: J. Edson(Secult)
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Volta a chuver em AURORA na madrugada desta terça-feira

 Por José Cícero



Chuvas voltam a animar as esperanças dos rurícolas aurorenses e do Cariri


Mais uma boa chuva de 29 mm banhou a cidade de AURORA, na regiao do Cariri durante a madrugada desta terça-feira,  dia 26. 
Precipitações que veem se repetindo deste o último dia 19  consagrado a São José - por sinal, uma data considerada decisiva pelos agricultores sertanejos. O que eles denominam de "experiência" para as previsões relativas à quadra invernosa. 
Em vistas das últimas chuvas recentemente registradas, Aurora já compôe o rol dos municípios, principalmente do Cariri Oriental, como um índice razoavel, considerando o que estava previsto pela Fuceme em relação a estiagem antes estabelecida. 
Na segunda-feira passada, dia 25,  cerca de 62 mm já havia sido registrados na cidade e pouco mais de 98 em algumas localidade da zona rural. Além de outras precipitações esparsas registradas  em dias anteriores. 
Ocorrências, que diga-se de passagem, ajudaram a elevar ainda mais o ânimo de todos os rurícolas  aurorenses, além de promover melhorias consideráveis na temperatura ambiente, cujos números vinham sendo quase insuportáveis recentemente. 
Diante do clima e da "boniteza do tempo", há fortes possibilidades de que as chuvas possam continuar não somente no município de  Aurora, mas por todo o Cariri cearense. 
Previsões certamemte que ajudam a elevar ainda mais os ânimos de todos os agricultores e pecuaristas locais. Vistos que pequenos açudes já começar a 'pegar água' e pescadores ribeirinhos iniciam suas pescarias às margens do rio do Cariri.
RIO SALGADO

E o rio Salgado,  principal atrativo natural do município e da região como um todo, começa não por acaso, a receber as águas das Últimas chuvas ocorridas  no Cariri. De forma que já se mostra 'grande e valente' pelas forças das enxurradas que descem desde as suas cabeceiras, notadamente da sua região de nascente e dos demais rios menores (tais como o rio Granjeiros no Crato, Salgadinho em Juazeiro e o Missão velha na cidade homônima), bem como riachos tributários espalhados por todos os municípios caririense, que juntos compõem a chamada "bacia do Salgado" e, igualmente integram a do Jaguaribe a partir da cidade de Icó. 
Cumpre destacar que o Salgado além de atravessar o Cariri, banha cerca de 42 km do solo aurorense.
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P/ a Redação do Blog de Aurora.
Fotos: José Cícero
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segunda-feira, 25 de março de 2013

Chuvas d'Aurora enchendo o Salgado de promessas e de belezas...

 Por José Cícero
Águas ainda calmas do Salgado em Aurora na direção do Poço do meio
Visão panorâmica das primeiras águas do Salgado aurorense(na sede)
Manhã chuventa desta segunda-feira na  rua CJN do Araçá
Pescadores ribeirinhos pescando sob a ponte da 'beira fesca' da cidade
 Chuvas da madrugada  melhoram as esperanças dos rurícolas aurorenses 
Na madrugada desta segunda-feira(25) feriado estadual o município de AURORA amanheceu risonho e aprazível, visto que novamente foi  banhado por uma boa chuva da ordem de 63 mm, conforme registro dos pluviômetros locais.
Na semama passada cerca de 43 mm havia sido registrados na cidade e pouco mais de 98 em algumas localidade da zona rural. Ocorrências, que diga-se de passagem, ajudaram a elevar o ânimo de todos os rurícolas  aurorenses, além de promover melhorias consideráveis na temperatura ambiente.

Salgado - Um rio por excelência aurorense:
O rio Salgado, o principal manancial da bacia hidrográfica do Cariri e, que banha cerca de 42 km do território aurorense é, por assim dizer, o verdadeiro termômetro, como indicativo das últimas precipitações pluviométricas registradas em Aurora, assim como em toda a região. 
De modo que, sempre que o Salgado enche e começa a correr em disparada na direção do Jaguaribe e do Castanhão,  é sinal de que  chuvas significativas estão banhando o Cariri desde as suas cabeceiras localizadas na serra da batateira no sopé do Araripe no Crato.
E as cheias deste rio caririense representam um grande acontecimento para Aurora, sobretudo para os pequenos agricultores e pescadores ribeirinhos(foto).
As cheias do Salgado, além de um colírio para os nossos olhos, representam um bom sinal de esperança para todos aqueles que vivem cotidianamente a lida da terra. Extraindo do sagrado chão o eterno milagre da multiplicação do pão.
E foi assim que Aurora amanheceu nesta segunda-feira - feriado estadual, com um clima ameno e agradável. E o Salgado correndo, com a velha pressa de antigas invernadas como a nos dizer que deseja ser mar. Em suas correntezas, o Salgado se mostra valente e bonito, além de  encher de esperanças os corações dos homens, como de rara beleza os olhos de todos os que o contemplam sobre a chamada ponte da "beira Fresca" na entrada da cidade. 
O rio Salgado agora é um espetáculo da natureza. Um cartão-postal a ser guardado na memória imorredouro de todos os caririenses em geral e do povo de Aurora em particular. Posto que Aurora é, de fato, um presente do Salgado.

Abolição: Acerca deste feriado:  

                        Nesta segunda-feira(25) o Ceará comemora a primeira Abolição    oficial da              escravatura do Brasil, cujo acontecimento histórico se deu no dia 25 de março de 1884.
       Sendo que um ano antes( em 1º de janeiro de  1883) a então vila de Acarape(atual Redenção) libertara seus escravos.  Dois fatos  realmente pioneiros do Ceará que serviram de exemplos para o resto do Brasil. Votada e aprovada pela Assembléia Legislativa do estado,  o requerimento da homenagem é de autoria do deputado estadual Lula Morais(PCdoB).
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(*) Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo 
Aurora - CE.
Fotos: JC/ J. Silva - Redação do Blog de Aurora

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domingo, 24 de março de 2013

Católicos aurorenses participam da procissão de Domingo de Ramos

Por José Cícero

Com uma  multidão de devotos e fiéis paróquia de Aurora realiza tradicional procissão de Domingo de Ramos

AURORA - Como acontece todos os anos, a paróquia do Senhor Menino Deus realizou a tradicional procissão e benção  de 'domingo de ramos' simbolizando o início do martírio de Jesus Cristo.  Este ano a procissão foi presidida pelo pároco local, padre Antonio José tendo como ponto de partida a capela de Nossa Senhora da Rosa Mística localizada no bairro Araçá o mais populoso da cidade. 
Com uma significativa participação de devotos e  fiéis a procissão de Domingo de Ramos, teve início às 18:30h saindo do Araçá com destino à igreja matriz no centro da cidade. Como sempre, o acontecimento foi aguardado durante todo o dia como muita expectativa por parte da  comunidade católica aurorense. As ruas da cidade por onde passou a procissão, teve suas residências enfeitadas pelos próprios moradores, dando assim mais um colorido especial ao evento. Após a procissão ocorreu a celebração da missa na igreja matriz no centro da cidade.

Para entender a simbologia do Domingo de Ramos:

O Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa, que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus agitando seus ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a vitória: "Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas". Os ramos apresentados pelo povo nos remetem ao sacramento do batismo, por intermédio do qual nos tornamos filhos de Deus e responsáveis pela missão da nossa Igreja. E o ato de levarmos os ramos para casa nos lembra que estamos unidos a Cristo na luta pela salva. (In Teófilo Júnior)

(*) Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo 
Aurora - CE.
Fotos: Jc/Redação do Blog de Aurora

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A Semana Santa de outros tempos...

Por José Cícero*

Quanta saudade da ‘Semana Santa’ dos velhos tempos. Quando todo mundo vestia-se da mais pura emoção diante da história judaico-cristã da paixão de Cristo. Especial momento em que cada um tinha o seu quinhão de compromisso espiritual e humanístico firmado com a religião. E, como diria padre Zezinho, ninguém tinha vergonha de ter fé. Tempo bom aquele que há muito nos virou saudades...
Naquela especial semana a rotina da vida se transformava naqueles dias considerados por todos  como santos. Naquele período o sentido do sagrado tomava uma nova e grandiosa dimensão, quer seja, o sentimento verdadeiro da partilha e da tolerância em nome dos céus. Era como se todos os males e o ódio do mundo tivessem ali, o seu instante de trégua.
E a semana santa se revestia como do mais puro encantamento. As pessoas ficavam mais solidárias, mais fraternas e mais humanas. A caridade e a compreensão passavam a ser um sentimento comum e compartilhado com toda a comunidade. O velho preconceito de classe durante aqueles dias de graças plenas, parecia se dissipar no ar. Jesus Cristo – o salvador, estaria efetivamente no meio de nós. Ao passo que tudo o mais na comunidade virava de vez, um singular instante coletivo da mais absoluta celebração. Vez que as famílias se reuniam em todo daquela simbologia corporificada no sofrimento de Jesus. 
O mundo era todo uma reflexão. A alegria de viver era renovada num autêntico momento de congraçamento crístico. Ao passo que qualquer forma de pecado era uma coisa horrível um sacrilégio mortal contra a divindade. O mundo se humanizava num passo de magica. E a felicidade ante aquele estado quase absoluto de desprendimento solidário aumentava a fé num mundo possível e numa vida harmoniosa.

Na época da semana santa todas as pessoas tinham até vergonha de não serem boas, como de não esboçarem suas ações verdadeiras em torno da prática do bem. Os vizinhos trocavam gestos de afabilidades. E as donas de casa, seguindo à tradição – enviavam seus melhores pratos, inclusive aos pobres dos entornos residenciais. Rezas e orações eram entabuladas diante dos oratórios de casa. No escuridão das noites sertanejas era possível se ouvir os cânticos e as litanias chorosas dos penitentes na zona rural e nas cercanias das cidades.
O autor José Cícero
Pela manhã pessoas pediam nas portas o ‘jejum’ da semana santa. Algo que também fazia parte da tradição. Era quase um ritual dá-se a esmola daquele dia. E eram tantas as pessoas que a pediam... Nunca me esqueço deste peditório de velhos e das crianças – “Me dê um jejuzim pra minha mãe jejuar?”. "Deus lhe pague esta esmola".
Geralmente ninguém os negava... Era como se o próprio Salvador estivesse ali, encarnado em cada um daqueles cristãos pedintes a descer e a subir pelas ruas e pelas estradas dos sítios. Os mais velhos nem recebiam dinheiro. Posto que tal ato  era tido como pecado.
A semana santa daquele tempo era um acontecimento dos mais fortes e significativos. Visto que
mexia o mais profundamente possível com os sentimentos e a emoção de cada ser humano. Um momento onde nenhum ódio, maldade ou egoísmo ocupavam o coração das pessoas. Pois Cristo, coitadinho, não haveria de sofrer mais uma agrura por conta das nossas ações pecaminosas.

Dia e noite, a igreja era todo um espaço de peregrinação, de visitas e de promessas. Na sexta-feira da paixão, os adultos rezavam e jejuavam ao mesmo tempo que pediam graças aos ceus. Por outro lado, os meninos rezavam felizes, porque sabiam que naquele dia, a comida seria farta e saborosa. Além do mais, não podiam apanhar dos seus pais. Ninguém da família poderia sequer levantar a voz para nenhum deles. Era um dia de extrema bondade, emoção e obediência ao altíssimo... Visto que Cristo estava prestes a ser martirizado pelos judeus.
D
esde a “quaresma” que nenhum dos meninos não pegava mais nas suas baladeiras. Nenhum passarinho poderia ser sacrificado. Nenhum animal poderia ser abatido nos açougues. Todo sofrimento havia de ser abolido. E a gente tinha a nítida sensação que aquilo seria para sempre... Não se comia carne naqueles dias sagrados. Nada se sangue ou sofrimento. Do contrário, estaríamos atirando e comendo a própria carne de Jesus. Nunca me esqueci do cheiro gostoso a se espalhar pela casa do bacalhau e do peixe cozinhando no leite de côco.
N
enhuma música. Nenhuma outra forma mais aberta de animação. Todos haveriam de rezar buscando aplacar os seus pecados e aliviar as dores de Jesus. Tínhamos que chorar o sofrimento do Salvador. Alguns mais ousados aproveitavam o dia para jogar baralho e beber vinho. Os mais antigos, sobretudo as mulheres, não gostavam desses procedimentos. Coisas que também não eram bem vistas pelo padre.
A
porta da frente da casa, assim como a 'mesa dos santos' estavam enfeitadas com a cruz de palha de carnaúba – benzida no domingo de ramos. Era uma espécie de proteção contra todos os males, além de evitar corisco e os raios de trovão.
O
rádio só poderia ser ligado para se ouvir a narrativa da novela radiofônica da paixão de Cristo. Muitas vezes presenciei a minha vó aos prantos ao pé do rádio ABC canarinho embalado pelas ondas sonora da rádio Educadora do Crato e Iracema de Juazeiro. Todos ficavam na grande sala em torno do velho aparelho. O som dos trovões e das chibatadas no corpo de Jesus a fazia estremecer literalmente. Era como se as pancadas que se ouvia na sonoplastia a atingissem em sua própria carne. Por isso ela chorava e pronunciava baixinho: - “Coitado do meu salvador Jesus!”
E
eu, na minha inocência de menino ao ver tantas vezes aquela cena, confesso que também, por alguns momentos, movido pela emoção, chorei com ela. Bons tempos aqueles em que éramos felizes e não sabíamos...
L
embro, inclusive, que na quinta-feira santa, os bodegueiros só abriam uma porta do seu comércio. E na sexta-feira da paixão, nenhum estabelecimento por mais simples que o fosse abriria. Ninguém podia cobrar, vender ou mesmo pegar em dinheiro. Quem quebrasse esta regra era tido como um algoz de Jesus. Estaria, portanto a vender o próprio corpo do Salvador. Se fosse uma emergência, o comerciante daria a mercadoria de graça.
Recordo da vez em que um garoto se acidentou em virtude de uma queda. E precisou de vinagre para que a mãe tratasse o ferimento (um galo na cabeça) e o vendeiro foi lá e trouxe o produto sem querer qualquer dinheiro. Aliás, na sexta-feira, até o leite da freguesia era dado de graça, assim como o pão da padaria. Como em nenhum outro dia. Principalmente o sal não poderia ser comercializado, nem nos dias comuns durante à noite...
E aquele dia transcorria assim. L
á fora a correria, diante dos preparativos iniciais com vistas à malhação do Judas. Um evento curioso e engraçado em que o sagrado e o profano se misturavam na mais perfeita harmonia. E nós meninos interioranos também tínhamos medo. Era como sei o Demo estivesse naqueles caretas.
N
a igreja a missa era mais demorada do que as outras. Por isso a meninada saía à francesa para o patamar onde às escondidas, tentava paquerar as mocinhas. Muitos dos adultos aproveitavam a ocasião para se confessarem com o vigário. Outros se emocionavam além da conta com a pregação e o sermão do padre. Os adolescentes eram obrigados pelos pais a jejuar e comparecer ao confessionário do sacerdote.
E
ra uma semana santa de verdade. O dia em que o simples fato de se pensar em ganhar dinheiro era uma blasfêmia. Ninguém namorava e sequer pensava naquelas coisas. Ninguém bebia cachaça ou cerveja. Ninguém trabalhava. Ninguém brigava com ninguém. Todas as atenções estavam voltadas para o sofrimento de Jesus. Era um instante de reflexão no sentido de que cada um melhorasse por dentro e, em seguida, todos juntos, melhorariam o mundo e a vida.
Q
uantas saudades daqueles anos! Pena que já não se fazem ‘semana santa’ como antigamente.
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José Cícero
Secretário de Cultura
Aurora – CE.
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WWW.prosaeversojc.blogspot.com

Foto ilustrativa: da Internet.
Comentário do companheiro Kydelmir Dantas - Mossoró-RN.
Muito bem, José Cícero... Foi profundo e longe.
Às vezes pego a lembrar destes momentos e fico confrontando com os dias de hoje.
Restaurantes abertos, comércio abrindo no final da tarde - isto na sexta-feira grande - as pessoas bebendo vinho, para se embriagarem mesmo, o corre-corre apenas pelo feriado...
E o esquecimento de Cristo, trocado por ovos de chocolate... E o pior... de coelho (nunca soube que coelho pusesse ovos).
Além das blasfêmias, nos templos dos fariseus (hoje os canais de tvs abertas e pagas) onde cada um deles cura, prega e promete aos 'crentes' que são os próprios discípulos do Senhor... Esquecendo do 'não usarás Meu nome em vão'.

Pra tirar este peso, de minhas reflexões, segue o excelente poema do Chico Pedrosa:
(See attached file: A BRIGA NA PROCISSÃO.doc)
    Kydelmir Dantas
    MOSSORÓ - RN

Saiu na Imprensa...


Seios nus na internet — e a muçulmana é condenada à morte por clérigo

Ela se chama Amina, tem 19 anos de idade, nasceu e vive na Tunísia, país que, teoricamente, tornou-se uma democracia após a chamada “Primavera Árabe” que derrubou a ditadura do eterno presidente Zine el-Abidine Ben AliAmina, em janeiro de 2011.
 
Mas Amina cometeu um pecado mortal em uma sociedade islâmica — e por essa razão foi condenada à morte por um sacerdote islâmico, enquanto a família tomou suas providências: rapidamente internou-a em uma instituição psiquiátrica em Túnis, capital do país.

O pecado: a jovem postou fotos suas de seios de fora na web page que ela criou, na Tunísia, para o grupo feminista radical ucraniano Femen, constituído por ativistas que se desnudam em público por diferentes causas, sempre protestando contra algo.
 
Uma das fotos mostra Amina lendo e fumando um cigarro, tendo no peito a inscrição em árabe da frase “meu corpo pertence a mim e não é a fonte da honra de ninguém”. Em outra foto, ela aparece levantando um dedo médio para a câmera com a inscrição: “Foda-se a moral de vocês”.
 A reação na Tunísia veio pela boca espumando de ódio do pregador muçulmano salafista Almi Adel, segundo o qual a jovem deveria ser “apedrejada até a morte”, uma vez que sua ação poderia causar “epidemias e desastres” e “poderia ser contagiosa e sugerir ideias a outras mulheres”. Ocorre que Almi Adel acumula as funções de clérigo islâmico com a direção de uma Comissão para a Promoção da Virtude e a Prevenção do Vício na Tunísia — órgão oficial com título semelhante aos existentes nos regimes totalitários do Irã e da Arábia Saudida. 
Do ponto de vista religioso, ele lançou uma fatwa contra a moça — o que significa que os fiéis estão autorizados a matá-la. Do ponto de vista laico, as coisas não estão claras, mas a mídia tunisiana diz que, conforme a legislação dessa “democracia” árabe, ela poderia ser condenada a até dois anos de prisão.
 A notícia de que a jovem foi internada pela família num hospital psiquiátrico da capital da Tunísia chegou ao QG do grupo Femen em Paris e foi divulgada por sua líder, Inna Shevchenko.
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Fonte:  http://omundocomoelee.blogspot.com.br . In veja.abril.com.b( Do Blog de Ricardo Setti).

sábado, 23 de março de 2013

Um pouco mais de saudade e poesia do poeta Biu Pereira: Por José Cícero



Fco. Pereira da Silva - o famoso poeta BIU PEREIRA
Cordel do Biu Pereira
Hoje cedo por uma dessas vontades estranhas que vez por outra nos invade a alma me pus a ler,  talvez pela milionésima vez,  o raríssima cordel – “A identidade de um ébrio”, de autoria do inesquecível poeta, violeiro e cordelista missãovelhense – Fco Pereira da Silva - Biu Pereira, já falecido.  Um tanto quanto envelhecido, sobretudo pelo papel jornal em que fora confeccionado, o velho cordel foi um presente a me ofertado pelo próprio vate nos idos dos anos 80 quando  ainda era estudante do ginásio paroquial. 
Nos anos em que  comecei a visitá-lo, de quando em vez, na sua humilde moradia - uma minúscula casinha de taipa, localizada na chamada "baixa do tinguizeiro" meio escondida abaixo da rodovia na entrada da cidade. Logo após a chamada curva da Gameleira na direção de quem vai na direção do Juazeiro.

Numa época em que aquele pequeno 'bairro', era por assim dizer,  também vítima de um imenso preconceito social, visto que ficava contíguo à chama zona do bairro meretrício, ou "cabaré" como se chamava naquele tempo.

Jamais  me esqueço da primeira vez que avistei o poeta, sentado no banco, pernas estranhamente entrelaçadas, tocando viola na conhecida bodega de Chico André.

Estudante adolescente, já tocado por um certo arroubo literário, resolvi escrever algo sobre o poeta, falando do seu  sofrível isolamento, da sua vida, das agruras, da doença e da suas antigas lidas poéticas pelo oco do mundo. A matéria havia sido publicada no jornal ‘A Classe Operária’ informativo  do PC do B editado em São Paulo, mas que recebíamos com certa regularidade.

Lembro-me da peleja e do esforço  que  foi convencermos o saudoso fotógrafo Pio Luna a se deslocar a pé, do centro da cidade até o local onde morava o poeta para fazer a fotografia que ilustraria a tal reportagem.

Recordo-me como se fosse hoje, do poeta posando para a foto: A viola pendurada num toco da parede, como que denunciando o abandono  daquele ambiente. E o velho poeta curvado com seus braços  em cruz sobre a meia porta da sua residência. Estavam lá, além do fotógrafo, Eu, Jesualdo(Dedu), Dedé de Quinco e o também saudoso José Mago. Dedé de Quinco, inclusive,  foi quem  pagara  o preço da foto.

Diante dos inúmeros cordéis que estavam em poder do poeta, resolvemos fazer uma campanha para vendê-los nas ruas e nas escolas. E assim, arrecadarmos um pouco de dinheiro para o velho Biu que estava em dificuldade, sobretudo para comprar os seus remédios. Naquela época, tudo era muito mais difícil. E o abandono em que se encontrava o poeta, já debilitado pela doença que lhe atacava os pulmões e as vias respiratórias, era  algo penoso e lamentável.

Ele fumava com sofreguidão. "Não posso mais adiar o meu encontro com a morte. Por isso não posso deixar de fumar agora", disse-me ele com um certo sorriso amarelo no canto da boca e o cigarro no dedo. Olhando a fumaça, disse me certa feita que era a poesia sua última alegria na vida. Sem ela, o mundo não tinha mais nenhum sentido, dizia.

Muito da sua poesia, era resultante das suas próprias vivências  de cantorias em cantoria pelo mundo, inclusive pelas quebradas da Aurora. Ele falava muito do riacho do Pau Branco onde cantou por diversas vezes em noites enluaradas propícias à fina flor da poesia popular dos nossos sertões. 
Falava da contribuição e da amizade fraterna do radialista  folclorista mestre Elói Teles ante a publicação dos seus cordéis, bem como  da sua participação na rádio Araripe e Educadora do Crato onde fez programas durante alguns anos. Falava ainda, com orgulho e como saudade, do tempo das suas andanças em que fez  parceira com o próprio Patativa e Pedro Bandeira. Dos programas da rádio Iracema do Juazeiro e Salamanca de Barbalha. Da vida boêmia e da saúde que naquele instante lhe faltava.

No meu primeiro livro “Ecos da Saudade”,  lançado em 1993 resolvi fazer-lhe  uma pequena homenagem ao dedicar a ele o poema – Biu sempre Biu. Tanto em Jaguaruana, Granja e Aurora sempre recebi algumas cartas manuscritas pelas mãos do poeta. Algumas tristes e melancólicas, outras alegres e lisonjeiras, inclusive recheadas de poesias. Pela forma como me escrevia, sabia como estava o seu estado de saúde, seu espírito e a sua alma de vate, amigo, humano e valente.

Em 2001 já bastante enfermo e vivendo sob a caridade alheia o Dr. Edilson Santana e a professora Hilma Freira organizaram o livro “Versos Populares: Antologia Poética do poeta Biu Pereira”  contendo o melhor da produção poemática do decano poeta da poesia missãovelhense.

Em virtude das  freqüentes crises de asma que o atacavam, quase não mais recitava os seus improvisos poéticos  como antigamente e, tampouco dedilhava sua viola e nem escrevia seus cordéis. Era triste quando o encontrava nestes 'dias ruins' como ele mesmo chamava. Tinha um poema sobre o cajueiro e o sapo que eu gostava muito quando  recitava de  memória para mim.

A vida me levou para longe. Eis a velha luta pela sobrevivência. Anos depois fui informado por telefone  do desencarne do meu amigo poeta. Tristonho fiquei por vários dias literalmente  de mal com o mundo e com a poesia. Posto que ambos, a meu ver, foram extremamente ingratos e cruéis como o poeta Biu.

Como a vida é má e  hipócrita: Bil Pereira precisou sofrer e morrer para ser reconhecido e ficar famoso...

Entretanto, conforta-me a lídima constatação de que Biu foi poeta e, poeta sendo, viverá eternamente por entre nós.

Viva Bil Pereira! Porque toda poesia sempre será eterna...
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(*) Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo 
Aurora - CE.
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