sábado, 31 de dezembro de 2011

ARTIGO DE OPINIÃO - Por José Cícero*

"Nenhum Ano será efetivamente Novo sem que antes nos renovemos."
Apenas um pouco mais de pessimismo, simplesmente para destoar do convencional...

Todos se alegram e se aprontam para receber sob verdadeiro júbilo de entusiasmo o ano-bom. Uma intensa áurea de festividades e emoções sentimentais parece cobrir por completo a urbe distraída demais perante a velha feira das vaidades humanas.
A vida tem o seu instante da mais pura esperança. E a fauna humana se reveste da mais feérica sinergia. Os espíritos se irmanam e se desarmam em favor das utopias. De modo que a espera do ano-novo é um acontecimento sem tamanho. Uma comemoração que desconhece fronteiras geográficas e sociais. Uma festa de luz, quase tão românticas quanto em outros tempos.

Mas todos esperam e se preparam para a noite de ano. Todos se vestem da sua melhor roupa e do mais alto dos entusiasmos. As esperanças pelo menos neste instante especial derrubam todos os obstáculos que os separam do otimismo. Na crença na prosperidade do futuro do ano que se avizinha como uma carruagem de fogo quase que totalmente desgovernada. Como diria o grande Raul “Charrete que perdeu o condutor”.

As dores e as mazelas do mundo por um longo momento festivo têm seu espaço de trégua. Um armistício dedicado a ousadia dos que não se deixam vencer pelo pessimismo pós-moderno, assim como pela gana dos que elegeram a vida como um teatro, num estratagema para ludibriar sempre os outros, geralmente os mais fracos. Mas infelizmente, a noite de passagem de ano não dura para sempre... É, quase um piscar de olhos.

Mas a festa deveria se perpetuar pela vinda inteira. As pessoas deveriam se vestir de mais humanismo, sensatez e reflexão acerca do mundo, da vida calcadas nos principais valores que assinalam os grandes princípios morais da humanidade. Contudo, neste aspecto intrínseco, tudo é como se fosse pura fantasia de papel crepon. Prestes a se desfazer com os primeiros ventos da madrugada.

No nascer do dia novo, quase tudo continua como Dante, um sofrimento perpétuo. Todos se vêm diante do velho muro das lamentações. Todos se sentem sob o fio da navalha e por entre feras. Outros mais têm a estranha “necessidade de também ser fera, como um dia dissera o poeta. As esperanças começam de novo, uma a uma, a serem devoradas pela besta-fera a correr solta neste mundo cão. Quando, enfim, a cidade amanhece os homens retiram suas máscaras. A desfaçatez volta a ocupar o seu lugar de sempre...

Algumas dessas máscaras se ajustam tanto aos semblantes das pessoas, ao ponto de ninguém conseguir mais conseguir retirá-las da própria pele. E ficam assim, com elas para sempre. Tornando se ainda mais irascíveis, amorais e fisiológicos. O faz-de-conta passa então, passa a ser regra de etiqueta. E como sofrem os que insistem em ser verdadeiros. Os que preferem ser justos por princípio. Os que se negam a aceitar tal estado de coisa. Os chamados anormais... Os que, portanto, não se deixam ser escravos do poder, do dinheiro e, tampouco das aparências.
Os que nunca se dão por satisfeitos simplesmente por estarem comodamente estabelecidos no lugar-comum. Os que mesmos instados a se calarem diante da ignorância e da prepotência, gritam. E gritam alto! E por força da sua indignação pensam, por assim dizer, em voz alta. Estes se renovam a cada ano. E o ano sempre será novo por conta deles...

De sorte que, por estes é que a vida continua valendo a pena. Por contas destes é que sempre nos restará a esperança no ano-novo. No ano-bom. Assim é que estou plenamente convencido de que nenhum Ano será efetivamente Novo sem que antes nos renovemos por dentro...
Feliz Ano-novo e uma boa noite de ano a todos...

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Prof. José Cícero -
Aurora - CE.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Município conclui construção da nova quadra poliesportiva do distrito de Ingazeiras

Serviços de pintura do piso da nova quadra poliseportiva do distrito de Ingazeiras

Nova quadra poliesportiva do distrito de Ingazeiras/Auror-CE. dez.2011







Equipe da Seculte-Aurora na nova quadra de Ingazeiras e com o prefeito Adailton Macedo

Foi concluída esta semana as obras de construção da nova quadra poliesportiva do distrito de Ingazeiras. Trata-se de uma iniciativa de grande envergadura social que muito ajudará no desenvolvimento do esporte e dos demais eventos socioculturais daquela comunidade. Segundo a pasta de esporte, a previsão é de que em meados de janeiro o prefeito Adailton Macedo estará entregando oficialmente a referida praça de desporto à população. E as novidades não páram por aí, visto que o prefeito já anunciou, inclusive, os serviços de asfaltamento da rua Dona Custódio daquele distrito, assim como a construção da avenida central. Boas realizações capitaneadas pelo gestor Adailton Macedo.

Copa Ingazeirense de Futebol - Taça vereador Antonio Teles de Pontes:

No final de janeiro, a secretaria de Esporte promoverá a II Copa Ingazeirense de Futebol – 'taça vereador Antonio teles de Pontes'. E por ocasião da festa de inauguração da quadra poliesportiva haverá um dia inteiro de atividades culturas, além do torneio de Futsal masculino e feminino. O prefeito Adailton Macedo irá ainda consultar a população no sentido de escolher o nome de um ingazeirense já falecido para ser homenageado, dando seu nome aquele espaço poliesportivo.

Esta semana a equipe da Secretaria de Cultura e Esporte(Seculte) concluiu os trabalhos de pintura do quadrilátero de jogo da quadra, cujo resultado ficou simplesmente maravilhoso, dado o colorido e todo o esmero dos serviços ali realizados.
Também neste último semana de 2011 o prefeito Adailton assinou a ordem de serviço para a construção da quadra do distrito de Santa Vitória, além da cobertura metálica da do Tipi, bem como a edificação da do sítio Vazantes.

RONALDO ANGELIM EM AURORA:

RONALDO ANGELIM e convidados participarão de partida beneficente no estádio municipal de Aurora no dia 7 de janeiro de 2012.
A INICIATIVA é uma realização da secretaria de Esportes do município sob os auspícios do prefeito Adailton Macedo. Neste sentido o secretário da pasta José Cícero esteve conversando com o prefeito Adailton na manhã da última sexta-feira, dia 30 de dezembro objetivando finalizar os últimos detalhes do evento.
Craques como Naza, Cantarelli, Roberto Maguila, dentre outros também participam do acontecimento no município aurorense. Um quilo de alimento não perecível à guisa de doação para uma instituição de caridade será a forma de acesso ao estádio onde ocorrerá o jogo entre os Amigos de Angelim e a representação de Aurora. Toda população será convidada para este magno evento que abrirá com chave de ouro o ano de 2012 em se trantando de comemoração esportiva em Aurora, disse o secretário.
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ENTREVISTA:

Prefeito Adailton Macedo faz balanço dos três anos de mandato na 96 FM do Barro-CE.

O prefeito municipal Adailton Macedo(foto) participou na tarde desta sexta-feira, dia 30 de dezembro – da última edição do ano – do programa 'Jornal 96' apresentado pelo renomado radialista caririense Roberto Crispim da rádio 96 FM da vizinha cidade do Barro-CE.

Na oportunidade, o alcaide aurorenses, além de fazer um extenso balanço da sua gestão durante nos últimos três anos enumerou parte importante das obras, ações e outras iniciativas empreendidas pelo seu mandato. Ainda, dentro de uma linha estritamente ética criticou duramente os políticos da chamada oposição local, em parte, segundo ele, porque não demonstram nenhum compromisso com o desenvolvimento de Aurora. Os que fazem a oposição pela oposição, os que só pensam nos interesses particulares. Os que portanto, não têm compromisso com a população e tampouco, com o progresso de Aurora. Notadamente os que supostamente se dizem ‘majoritários’ na disputa mas que sequer residem no município.

Foi uma entrevista marcada por uma linha bastante ética, aquilo que poderíamos muito bem denomina de ‘um diálogo propositivo’, uma entrevista de qualidade e de alto nível que teve como propósito maior demonstrar para a municipalidade e a opinião pública da região os principais problemas e desafios enfrentados pela gesta. Um discussão democrática no sentido de se tentar buscar soluções. Ele também sinalizou para as dificuldades do futuro, assim como das perspectivas com relação ao ano de 2012 que se avizinha. Como igualmente das novas conquistas desde já asseguradas.

Por fim, falou da emissora que em breve estará sendo instalada na sua cidade. Um instrumento que muito ajudará no aprimoramento relacionado à questão da informação social

Por ser o último programa do ano, o prefeito de Aurora aproveitou para externar seus votos de feliz ano-novo a todos os seus correligionários, amigos, familiares e aos ouvintes da emissora em geral.
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Da Redação do Blog de Aurora.
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Fotos: JC e Alcione.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Meio Ambiente: “Pinga” que te quero vivo...

Por José Cícero*
1- Cachoeira/Rio Salgado M.Velha. 2 - equipe: JC, Kledson, Bruno, Marx, Zuis e Wesley. 3- Equipe, 4 - idem.









Imagens da incursão à Cachoeira(rio Salgado) em direção a nascente do "Pinga" de M. Velha

Uma pequena análise sobre as ameaças que pesam sobre o Bioma da Cachoeira e a nascente do “Pinga” do rio Salgado em Missão Velha

Num passado não muito distante ele era tido como um local famoso – Uma nascente como tantas que noutros tempos abundavam pelo Cariri equilibrando a vida dos ecossistemas, em especial a vazão cotidiana do Salgado rio. Antes, toda a cidade pelos menos sabia da sua existência ao contrário do que acontece nos dias atuais. Visto ser ela uma das maravilhas naturais da não menos famosa e lendária Cachoeira de Missão Velha. Todos os habitantes o sabiam pelo seu nome natural de batismo sertanejo , ou seja: “O Pinga” da Cachoeira ou da Lapinha. Inusitada nascente encravada entre as rochas que margeiam o Salgado a quase uma légua do centro da cidade.

Um ‘olho d’água’ que outrora abasteceu com sua límpida e pura substância da vida boa parte da então pequena elite missãovelhense. De tão boas e ligeiramente azuladas, havia até quem apostasse que aquela água tinha suas propriedades medicinais. “Água boa de beber que inté dá pena de se gastar no lavar dos panos” costumavam dizer as antigas lavadeiras dos rios. Hoje decerto, a tal modernidade a chamaria simplesmente de “mineral”. A nascente também foi local de descanso para antigos caçadores e pescadores ribeirinhos.
Mas, infelizmente como se percebe, nenhum destas qualidades foram suficiente; pelos menos o bastante, para livrá-lo do atual estado de abandono e do imoral descaso no qual está relegado e submetido como que por castigo. Portanto, o que ora acontece com aquele bioma é uma tremenda e vergonhosa pervesidade.

Protegida por um conjunto de árvores altas e frondosas a nascente permanece ali calma e tranqüila como um anjo de Deus a olhar para nós pedindo clemência. Árvores na sua grande maioria antigas de troncos enormes com suas raízes sedimentadas sobre as rochas e os lajedos. Algumas espécies conhecidas, outras nem tanto. Muitas até frutíferas, há muito plantadas pelos que lá moravam, algumas delas nativas. Jenipapos, Oliveiras, Mangueiras, além de catolé, oitis, jatobás, cajá, imbu, pinhas dentre outras.
Um lugarzinho incrívelmente fresco e bucólico, fincado entre a caatinga e o chapadão do rio Salgado. Um magnífico paredão à direita do manancial mais parece uma fortaleza geológica. Deveras intransponível repleta de plantas nativas e samambaias, de ninhos de urubus e muitas outras espécies de aves só encontradas nesta região.
Foi uma visitação gratificante que fizemos neste final de semana o último do ano. De maneira que nos arredores do “Pinga” era como se estivéssemos todos protegidos por uma grande cobertura vegeral. Tamanha era a sombra daquelas copas imensas. Um mundo só de verde e clorofila prenhe do mais puro ar. O sol estava quase a pino e o calor daquela tarde era insuportável. Mas, na beira da nascente a sensação era completamente diferente. Um microclima aprazível marcado pela mais absoluta frescura dos ventos caririenses. Quem sabe, um ar-condicionado natural a que todos deveriam experimentar. Quem sabe assim, despertassem de vez para a importância da defesa e da preservação daquela maravilha. Uma das mais autênticas expressões de Deus na terra...

Nos anos idos, era comum encontrar pelas veredas daquelas matas um certo senhor sertanejo, agricultor de pele escura quase tostada pelo sol. Um exímio tangedor de animal – morador do local e cuidador do lugar, a conduzir sob o lombo do seu jumento duas ancoretas contendo o precioso líquido do “Pinga” para os potentados da cidade, principalmente o Dr. Raimundo Alves antigo proprietário do terreno onde a pequena nascente está localizada. Do meu tempo de menino(até hoje), nunca me esqueci daquele homem ‘estradeiro’ a caminhar com seu asno todos os dias, pacientemente nas suas idas e vindas a levar a água do “Pinga da Lapinha” para a cidade. Um verdadeiro "Prometeu" dos sertões do mundo entregue por inteiro a sua sina. Uma lida que parecia nunca mais ter fim.

Devido a distância e a dificuldade do acesso ao local cercado de mata quase fechada e de um solo acidentado e pedregoso, não era barato a carga d’água do “pinga”. De modo que, bebê-la em casa era, por assim dizer, quase um luxo e, para poucos(diga-se de passagem). A água do velho “pinga” da cachoeira era equivalente a “mineral” a que todos consomem com facilidade agora. Algumas delas vindo de muito longe e até de outros estados nordestinos. Hoje contudo, o ‘pinga’ perdeu o seu antigo valor para a maioria. Caiu no anonimato da história. Ficou esquecido. E aos poucos está sendo engolido e devorado pela pressa e o imediatismo de uma geração tida como moderna dos três “is” - ignorante, insensível e indiferente, notadamente às verdadeiras riquezas que a mãe natureza nos legou ao longo da história humana.

Mas, por incrível que pareça a fonte do “Pinga” não morreu. Posto que ainda mantêm o seu antigo encanto. Está lá tranqüila e silenciosa como um cristão da vida resignado com o sofrer do seu destino. Vivendo toda a sua solidão, cochilando sobre os imensos lajedos que margeiam o Salgado, desde o "goelão" das belas quedas d'águas. No entanto, é preciso tem olhos para vê-lo e coração sensível para senti-lo na sua intreguidade. Do contrário, só restará uma imenso vazio. O “Pinga” não morreu, mas corre risco de morte, caso permitamos que o seu sofrimento se prolongue além do suportável.

O abandono do campo também feriu de morte o velho “Pinga”. Ninguém mora mais por ali, isolado, distante de tudo onde sequer a eletricidade dera o ar da sua graça. A única residência ( a chamada Casa de Pedra) que lá existiu; agora por mais de duas décadas encontra-se abandonada, destruída pelo tempo, caindo aos pedaços. As matas tomaram conta de tudo, como se quisessem de volta aquilo que os homens tomaram-lhe um dia e não se deram sequer ao trabalho de preservar para às futuras gerações. Simplesmente por não “saber cuidar” de quase nada que não seja por poder e por dinheiro.

O teto da casa desabou. Contudo, algumas das suas antigas paredes de pedra e barro ainda se mantêm de pé. Apenas o velho pé de imbu insiste em resistir ao desprezo dos homens e o intemperismo do tempo, com seu aspecto verdejante e seu grosso tronco enrugado a rolar pelo chão como uma serpente enorme. Quem sabe, a nos mostrar que de fato, toda a veracidade da máxima euclidiana de que “ o sertanejo é antes de tudo um forte”.

Porém, não é apenas o “pinga” que está a correr sério risco de desaparecer. O bioma da caatinga em seu entorno, assim como todo o manancial da Cachoeira e do rio estão sob a mira do tiro de misericórdia. O fogo cruzado da destruição desenfreada em nome do capital. Há sinais de degradação dentro da mata. Clareira e derrubadas, veredas rasgadas por máquinas e explosões dos lajedos para a retiradas de um tipo pedra ali existente bastante requisitada para as modernas construções citadinas. Assim como atalhos e caminhos feitos pelo gado bovino criado como que à solta, embrenhado na caatinga da cachoeira de Missão Velha.
Mesmo assim, felizmente ainda é possível se ouvir o canto de pássaros silvestres, árvores endêmicas frutificando e outros bichos daquele nicho ecológico. Fauna e flora insistindo na sua antiga e necessária harmonia natural. A se perpetuar desde os tempos imemoriais. De modo que aquilo tudo junto nos invade os olhos, os ouvidos, as narinas tocando a nossa pele como se fosse um afago de Deus deixando em nós um pouco do perfume dos arvoredos e o benfazejo refrigério das águas. Ao ponto de pensarmos como nos velhos tempos; de que a caipora e o pai-da-mata ainda estão por ali.

De resto, andar pelos antigos caminhos que nos levaram ao “Pinga” foi como mergulhássemos dentro de nós mesmos. Um grande retorno ao passado. Deixarmos invadir por uma sensação de paz interior nunca dantes experimentada em nossas vidas sertanejas. Algo que, sobretudo nas grandes cidades, diria que não tem preço.

Todavia naquele rincão missãovelhense, a natureza como se percebe, está fazendo sua parte. De sorte que, depois desta prosaica incursão ecológica e memorialista peço aos meus conterrâneos em particular e, ao povo do Cariri em geral, que não se permitam a mais este crime. Não deixemos o “Pinga” morrer. Tampouco o Salgado se envenenar. Do contrário, o futuro certamente não nos absolverá...

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Prof. José Cícero
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Fotos: Kledson, JC, Marx e Wesley.


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